Charles de Foucauld, o Santo que “nāo fez nada”, só ameu Jesús. Inácio José do Vale

Charles de Foucauld – diz o Patriarca Pierbattista Pizzaballa – nos recorda que “para ser Igreja não é necessário construir grandes obras. A vida da Igreja é fonte de vida quando brota do encontro e do amor por Cristo. Esta é a primeira testemunha para a qual somos chamados. Sem o amor a Cristo, ficamos apenas com estruturas caras, tanto físicas quanto humanas”.

Charles de Foucauld, o Santo que “não fez nada”, só amou Jesus

Charles de Foucauld – diz o Patriarca Pierbattista Pizzaballa – nos recorda que “para ser Igreja não é necessário construir grandes obras. A vida da Igreja é fonte de vida quando brota do encontro e do amor por Cristo. Esta é a primeira testemunha para a qual somos chamados. Sem o amor a Cristo, ficamos apenas com estruturas caras, tanto físicas quanto humanas”.

O que impressiona na aventura cristã de São Charles de Foucauld é que ele, durante sua vida, “parece não ter feito nada”. Ele não converteu ninguém, não fundou nada, não conseguiu realizar nenhum de seus projetos, não “levou resultados para casa”. Charles de Foucauld só amou Jesus, imitando-o em tudo, até a morte. Precisamente por isso, a sua história sugere a todos os batizados, que para ser Igreja “não é necessário construir grandes obras”, que toda a atividade eclesial só é fecunda se e quando “nascer do encontro e do amor a Cristo”, enquanto “sem amor a Cristo, de nós restam somente estruturas caras, quer físicas como humanas”.

Com estas palavras, e com outras imagens sugestivas, o Patriarca de Jerusalém dos Latinos, Dom Pierbattista Pizzaballa, quis recordar aos irmãos e irmãs das Igrejas da Terra Santa os traços mais íntimos da história espiritual do monge recentemente canonizado pelo Papa Francisco, e aquilo que esses traços sugerem em relação à dinâmica própria da missão apostólica no tempo presente. Ele o fez durante a Missa de Ação de Graças pela canonização de Charles de Foucauld, celebrada na Basílica da Anunciação, em Nazaré, no domingo, 29 de maio. Bispos e sacerdotes de outras Igrejas católicas da Terra Santa também participaram da celebração litúrgica, presidida pelo Patriarca Pizzaballa, juntamente com Irmãozinhos e Irmãzinhas de Charles de Fo

Precisamente em Nazaré – recordou o Patriarca – Charles de Foucauld passou momentos decisivos para o seu caminho espiritual, “a ponto de que uma parte da espiritualidade que lhe é atribuída é precisamente chamada de ‘espiritualidade de Nazaré'”. Uma espiritualidade modelada na convivência familiar vivida com Jesus por José e Maria, entendida como o desejo de viver com Cristo e em Cristo cada momento e cada respiro da vida cotidiana, depois de tê-lo encontrado.

“A pessoa amada”, sublinhou o Patriarca na sua homilia, “nunca é conhecida de uma vez por todas”. E seguir Cristo significa também continuar a procurá-lo todos os dias, querer ver o seu rosto, poder reconhecê-lo na vida dos pequeninos, fazer uma experiência dele. É um caminho feito de consolações, mas também de muitos momentos escuros, de perguntas que permanecem inauditas, de vazios interiores, de longas esperas, de purificação, de silêncios”.

Precisamente seguindo a sua expectativa e o seu pedido de ver todos os dias a obra de Cristo, Charles de Foucauld entra no coração do mistério da Igreja e da sua missão. “Para aqueles tempos observou Dom Pizzaballa – a sua era uma nova maneira de evangelizar: em um período em que os missionários ocidentais percorriam o mundo inteiro para levar o Evangelho à sua maneira, Charles de Foucauld queria ir entre as pessoas, em certo sentido, para ser evangelizado por elas, fazendo-se próximo, tentando aprender delas seus valores, os modos de fazer, a sua cultura, a língua, as tradições. Sentia-se irmão de todos, antecipando o que hoje é um tema central na vida da Igreja. Mas sua ideia de fraternidade não se baseava em sentimentos vagos ou genéricos. Foi fundada e nasceu da relação direta com Jesus”.

O que chama a atenção neste santo – continuou o Patriarca – é que parece não ter feito nada. Não converteu ninguém, não fundou nada e, lendo os arquivos de nossos mosteiros na Terra Santa e do Patriarcado, não conseguiu realizar nenhum de seus projetos, não comoveu ninguém com seu testemunho. De fato, talvez, conhecendo um pouco sobre nossos ambientes, ele talvez tenha sido considerado como um dos personagens um tanto estranhos que muitas vezes frequentam nossos ambientes na Terra Santa. Em suma, é um santo que não leva resultados para casa. Ninguém. E ele morre assassinado, trivialmente, como muitos hoje. O único critério pelo qual se pode medir sua experiência de uma certa maneira, é o amor. O amor a Cristo levou-o a imitá-lo em tudo, até à morte”. E o verdadeiro amor – observou o Patriarca – “é sempre gerador, sempre abre à vida e a novos horizontes. Assim foi também para Charles de Foucauld. Após sua morte, precisamente em torno a ele que não concluiu nada em sua vida, nasceram várias congregações, movimentos, caminhos espirituais, inspirados por sua experiência. Alguns deles estão presentes aqui entre nós, em nossa Igreja em Jerusalém.”

“Graças ao seu singular caminho de santidade – continuou o Patriarca – Charles de Foucauld convida também a Igreja de Jerusalém “a nos libertar da busca de resultados a todo custo, para o sucesso em nossos empreendimentos. Lembra-nos que para ser Igreja não é necessário construir grandes obras. A vida da Igreja é fonte de vida quando brota do encontro e do amor por Cristo. Este é o primeiro testemunho para a qual somos chamados. Sem o amor a Cristo, ficamos apenas com estruturas caras, tanto físicas quanto humanas”.

Além disso, a experiência de Charles de Foucauld mostra a todos que “amar a Cristo significa amar o homem, onde quer que esteja, assim como é, sem esperar nada, mas fazendo-se próximo dele: no trabalho, na família, nas suas necessidades, nos seus sofrimentos, em sua dor. Sem pretender levar soluções, que muitas vezes não existem, mas levando o amor de Cristo. E aqui na Terra Santa significa aproximar-se de cada pessoa no seu desejo de vida, na sua sede de justiça, no seu pedido de dignidade. Significa pedir a força do perdão, construir relações amistosas com qualquer um, rejeitar a ideia de inimigo, mas querer ser irmãos de cada um.

Para o novo santo francês, os homens e mulheres a quem confessar Cristo na proximidade diária como “irmão universal” eram os muçulmanos dos países do Magrebe. Charles de Foucauld – recordou o Patriarca Pizzaballa – deixa como legado também “a busca de uma relação serena com quem não conhece Cristo, e em particular com o Islã, que marcou tão profundamente a sua vida, e que neste período é um tema tão atual e necessário.  Não para converter, é claro, mas para testemunhar o amor de Cristo, que nos torna todos irmãos”.

O ex-oficial francês, que durante a adolescência havia perdido qualquer relação vital com o cristianismo – recordou o Patriarca entre outras coisas – inicia seu caminho de repensar sua vida espiritual graças ao contato “com aquelas populações islâmicas, pobres e religiosas”. Um caminho que “o levará gradualmente ao encontro com Cristo, por quem se apaixonará e nunca mais o abandonará. Pessoas que não conheciam Cristo o levaram a encontrar Cristo”.

Frei Prof. Dr. Inácio José do Vale, PhD.
Formado em Teologia com Licenciatura pela Universidade Católica Santa Úrsula – Rio de Janeiro-RJ.
Especialista no Ensino de Filosofia e Sociologia pelo Centro Universitário Dr. Edmundo Ulson – Araras-SP.
Doutor em Ciências Sociais da Religião pela American Christian University-EUA.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2022-05/charles-de-foucauld-legado-pierbattista-pizzaballa-terra-santa.html


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Entrega Diretorio e Estatuto Dicasterio Clero 2025

Queridos irmãos da Fraternidade.

Paz e bem!

Quero partilhar com todos vocês a alegria de estar em Roma para entregar os documentos da Fraternidade no Dicastério para o Clero.

Fui muito bem recebido pelo irmão Pe. Andrea Mandonico e fiquei hospedado em sua casa, a “Sociedade de Missôes Africanas”.

No primeiro dia, quis fazer um momento de deserto e oração. Por isso, fui à Casa Mãe das Irmãzinhas de Jesus, em Tre Fontane. Passei um bom tempo na capela, em oração silenciosa. Desci até o túmulo de irmãzinha Madeleine de Jesus e fiquei lá, em silêncio, rezando pela nossa Fraternidade e por cada um de vocês. Embora a responsável geral, Imz. Eugeniya-Kubwimana não estivesse presente naquele dia, tive uma boa e agradável conversa com a responsável da Casa Mãe em Tre Fontane, a Irz. Luigina, e duas conselheiras, a Irz. Goneswary e Irz. Najiba. Conversamos sobre as alegrias e preocupações de nossas fraternidades no mundo, sobre nossas necessidades, disponibilidades, a falta de vocações e, acima e tudo, nossa docilidade ao Espírito Santo de Deus.

No dia 7 de outubro de 2025, estive na audiência com o Cardeal Lázzaro Lázzaro You Heung-sik, prefeito do dicastério para o Clero, para entregar-lhe, em mãos, o fruto do trabalho da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas. Os padres Andrea Mandonico e Giovanni Naoom, responsável da Fraternidade na Itália, que falavam italiano, me acompanharam. Esta audiência com o Cardeal foi muito importante e significativa para nós.

O Cardeal apresentou-se de forma simples, acompanhado de seu secretário, o Bispo Andrés Gabriel Ferrada Moreira, e um padre indiano como tradutor. Me pediram para falar em português, e ambos faziam tradução das minhas conversas com o Cardeal Lazarus. Eles foram acolhedores e fraternos, deixando-nos à vontade. O Cardeal contou-nos um pouco sobre sua vida e como chegou a Roma depois de muitos anos como bispo na Coreia do Sul. Ficamos surpresos e alegres ao descobrir que ele está muito familiarizado com a espiritualidade de São Carlos de Foucauld, pois teve um Irmãozinho de Jesus como seu confessor por muitos anos. Então nossa conversa foi simples, mas profunda, ao estilo de nossa espiritualidade.

Em poucas palavras eu relatei para o Cardeal a história do reconhecimento pontifício da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas. Lembrei-lhe que o Dicastério nos pediu para simplificar e atualizar nossos Estatutos e nosso Diretório, e que, num trabalho sinodal, a equipe internacional anterior, coordenada pelo Pe. Eric Lozada, das Filipinas, fez este trabalho nos últimos seis anos, ouvindo os irmãos do mundo todo, os responsáveis nacionais e os responsáveis continentais. E por fim, durante a assembleia de Buenos Aires em maio p.p., foram aprovados estes dois textos que agora entregamos ao Cardeal, solicitando aprovação deles como renovação do reconhecimento pontifício da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas. O Cardeal recebeu os textos e agora está em processo de leitura e análise. Nos disseram que podem ser aprovados na íntegra, ou com sugestões de mudanças feitas pelo Dicastério.

Pedi ao Cardeal uma palavra para os irmãos da Fraternidade em todo o mundo. Ele nos pede para vivermos, como São Carlos, com simplicidade, diálogo com todos, sem preconceito, e para demonstrarmos especial atenção e abertura aos nossos irmãos muçulmanos. Ele também nos pede que testemunhemos a pobreza evangélica, que sejamos humildes para alcançar os pobres e, sobretudo, que testemunhemos o Evangelho através de nossas vidas, seguindo os passos de São Carlos de Foucauld.

Não poderia deixar de visitar o túmulo de nosso saudoso Papa Francisco. Lá eu rezei por todos nós da Fraternidade no mundo inteiro, e pedi sua intercessão para o trabalho desta nova equipe internacional, na qual sou pequeno e humilde servidor.

Em nome de Jesus, um grande abraço com todo o meu afeto

Goiás, 20 de novembro de 2025

Pe. Carlos Roberto dos Santos
Responsável Internacional


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O terrorismo em Burkina Faso nâo é uma questâo religiosa. Philippe OUÉDRAOGO

Cardeal Philippe Ouédraogo, de Seul, sobre o Sahel: “O conflito atual não é religioso. É político, econômico, identitário e geoestratégico.”

Seul, a capital coreana, sediou um encontro da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre nos dias 10, 11 e 12 de julho de 2025. Na ocasião, o Cardeal Philippe Ouédraogo, um dos principais palestrantes, proferiu uma mensagem comovente sobre a situação da segurança em Burkina Faso e no Sahel: “Não caiamos na armadilha: rejeitemos o medo, a confusão e o discurso divisionista. O conflito atual não é religioso. É político, econômico, identitário e geoestratégico”, alerta o Arcebispo Emérito de Ouagadougou, que questiona: “Como podemos explicar o fato de tantas armas circularem em áreas onde o acesso a alimentos e água potável é limitado? Quem está fazendo vista grossa? Quem está permitindo que isso aconteça? Quem está lucrando com isso?” Oferecemos o texto completo de sua declaração sobre “A Igreja em Burkina Faso, Testemunha de Esperança diante da Perseguição do Extremismo Islâmico Violento”.


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