Carta de Eric

CARTA DO RESPONSÁVEL GERAL AOS IRMÃOS DO MUNDO

“O Advogado, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que Eu vos disse” (Jo 14,26)

Minhas calorosas saudação a todos vocês, meus queridos irmãos

Com toda humildade eu confesso, pessoalmente, o porquê demorei tanto tempo para escrever-lhes esta carta. Me sentei muitas vezes diante do meu computador sem saber o que e como escrever. Me senti como uma mulher grávida a ponto de dar à luz, mas com a pélvis demasiada estreita para o recém-nascido. Lutei com as palavras mas a luta maior foi com meu coração, procurando ter o espírito e a disposição apropriada de um irmão. Como muitos de vocês são somente nomes para mim, sem rostos e nem histórias que partilhamos para qualificar nossa união entre irmãos, eu necessitava de tempo para me colocar na presença amorosa do Pai que me convida a deixar o conforto de minha terra natal e me envia como um irmão missionário. Eu necessitava de momentos de oração para desnudar-me diante de Jesus, aquela nudez que o espírito de Nazaré nos convida, você e eu, nesta grande aventura de movimento descendente, vivendo simplesmente com simplicidade e alegria, tanto no cotidiano como na obscuridade, encontrando o último lugar, consumido pelo evangelho do maior e do menor, vendo Jesus nos pobres, o apostolado do bem, não para reinar, mas para servir, para ser pobre em espírito por causa do Reino. Eu precisava de espaço para ser reavivado pela espiritualidade, vida e intuições do Irmão Carlos, por meio do testemunho de irmãos e irmãs que vivem profundamente enraizados na vida e tradição da Fraternidade. O encontro com a família espiritual no Haiti, em abril passado, minhas visitas aos irmãos no Haiti, na República Dominicana e nos Estados Unidos, e meu retiro num mosteiro trapista na Geórgia, foram uma imensa ajuda para mim. (Estes assuntos serão o tema de minha próxima carta). Jesus também tinha necessidade deste espaço em meu coração para minha conversão, porque, mesmo que eu já participe há 30 anos na Fraternidade, e já tenha feito três vezes o Mês de Nazaré, ainda tenho comportamentos pouco saudáveis e imaturos que poderiam se tornar obstáculo para eu viver este ministério. Sendo um projeto inacabado, eu necessito de seus comentários sinceros e seus conselhos fraternos. Por favor, diga-me e eu ficarei feliz em recebê-los como um presente para minha educação continuada.

Como vocês devem saber, antes de ser eleito responsável Internacional, meu mundo girava em torno da minha pequena fraternidade, numa cidadezinha, sem televisão nem internet, como capelão de um pequeno mosteiro carmelita, e diretor de estudos de um pequeno seminário universitário, vindo de uma pequena diocese das Filipinas. Meu mundo era tão pequeno, meu jeito de viver era muito rural e a ideia de escrever uma carta para irmãos do mundo inteiro era, no mínimo, assustadora. Agradeço ao Espirito Santo por me ajudar a escreve-la. Rezo para que minhas palavras não se interponha à maneira do Espirito Santo ensinar-nos tudo o que Jesus quer que saibamos. Agradeço sua generosa paciência. Peço desculpas àqueles irmãos que se sentem órfãos por causa do meu longo silêncio. Em meu silêncio, em minha oração, eu rezei por vocês, seus nomes, uma vez ao dia (graças ao repertório).

Um outro olhar sobre a Assembleia de Cebu, e mais além

Nossa Assembleia de Cebu em janeiro passado foi, de fato, “uma preciosa manifestação do Espírito de Pentecostes”. Minha alegria fraterna e minha sincera gratidão a todos vocês que rezaram por nós enquanto estávamos em assembleia. A nossos responsáveis continentais e nacionais com nossos antigos responsáveis internacionais: Mariano e Abraham, que viajaram até o outro lado do mundo para participarem desta assembleia, muito obrigado. À equipe internacional anterior: Aurélio, Jean François, Emmanuel, Mark e Maurício, por seu excelente trabalho de organização e pelo árduo trabalho durante a assembleia, muito obrigado. Somente podemos construir sobre o trabalho que vocês generosamente realizaram. Agradeço particularmente ao Aurélio pela herança do site na internet: iesuscaritas.org e a José Alberto Hernandis, que se dispôs a gerenciar nosso site na internet. Minha alegria e gratidão aos membros de minha equipe, com Tony Llanes como meu corresponsável internacional, que estão muito disponíveis para servir. Como estamos a serviço da Fraternidade Internacional, peço que nos escrevam suas preocupações, notícias, convites, comentários e histórias. Pessoalmente, eu os escolho para representar os quatro continentes, de maneira a facilitar o acesso às notícias. Abaixo deixo nossos contatos:

Eric Lozada ericlozada@yahoo.com + 63 9167939585;
Tony Llanes stonyllanes@yahoo.com + 63 9183908488;
Fernando Tapia ftapia@iglesia.cl + 56 988880397
Honore Savadogo sawono2002@yahoo.com + 226 70717642
Matthias Keil Matthias.keil@graz-seckau.at + 43 67687426115.

Assim como você confia em nós, podemos também confiar em você, para nos ajudar? Mais que uma dinâmica de cima para baixo, desejamos ter mais diálogo, transparência, reciprocidade e feedback nestes diferentes níveis de comunicação. Para começar, nos reuniremos do 11 a 18 de outubro na Coréia do Sul, e agradecíamos qualquer coisa de tua parte, seja pessoal, local, nacional ou regional, que queira que consideremos e respondamos. Você pode envia-las pra mim ou ao responsável continental da equipe.

Irmãos, a carta de Cebu não é um documento acabado. É um trabalho que está em andamento. Permita-me de convidá-lo (sejamos unidos nisso) a torna-la um assunto de leitura e discussão pessoal e da fraternidade. Em Cebu, nos comprometemos em ser sacerdotes diocesanos missionários, inspirados pelo testemunho do Irmão Carlos. Contemplamos as realidades de nossa sociedade, nossa Igreja e nossas fraternidades a partir de diferentes continentes e países. Ouvimos o chamado do Espírito para nos tornarmos Igreja nas periferias (graças à liderança profética do Papa Francisco). Com base nestes apelos que ouvimos, estamos firmemente decididos em dar passos concretos e estratégicos para o desenvolvimento de nossa sociedade, nossa igreja e nossas fraternidades.

Gostaria de convidá-lo para, em sua análise e discussão, tratar este documento como um amigo cujas palavras, cheias do Espírito, são transformadoras e proféticas. A realidade é muito complexa: a violência, terrorismo, injustiça, tráfico, uma grave crise ecológica, migração, a globalização da indiferença, o fundamentalismo, a secularização (e a lista é muito longa). Quase imediatamente tendemos em observar essa realidade a partir de fora. Essa atitude não é muito benéfica. Como padres diocesanos, devemos nos envolver mais, pedindo ao Espírito que nos dê coragem e humildade, para ver a realidade com um olhar profundo e amoroso sobre nossas estruturas e subculturas interiores: valores, mentalidade, modo de vida, preconceitos, atitudes, preferências, desejos. Nomeamos as muitas maneiras sutis pelas quais fazemos parte no problema. Partilhamos nossas conquistas com irmãos de nossa fraternidade que poderiam nos ajudar em nosso crescimento. Talvez o maior presente que podemos oferecer ao nosso mundo hoje é reconhecer que fazemos parte do problema. Esperemos que, com corações arrependidos e transformados, nos tornemos também, parte da solução.

O Espírito nas chama a ser uma Igreja em saída. Peçamos ao Espírito o dom da coragem e da confiança para explorar juntos as periferias da nossa alma: as partes rejeitadas, feias, desprezadas, profundamente enterradas e ocultas de nós mesmos que devemos expressar, possuir, aceitar, abraçar para nós curar. Aqui, precisamos da intimidade de nossa fraternidade para poder partilhar nossas feridas mais profundas sem ser julgados. Se necessário, podemos consultar um profissional para nosso continuo crescimento e nossa cura. Então, da próxima vez que formos às periferias, seremos diferentes. Seremos missionários interiormente mais livres e felizes. Triste é quando vamos com nossas feridas não curadas, aparentando o que não somos interiormente. Pois nos tornamos cegos, precisando de ajuda, cheios de nós mesmos e nem sequer sabemos disso. Esquecemos a agenda de Jesus e do Reino. Como um cego pode conduzir outro cego? Estou convencido de que o melhor presente missionário que podemos oferecer ao povo de Deus, especialmente aos pobres, é o cuidado conosco mesmos, para nossa transformação contínua como discípulos missionários de Jesus.

Irmãos, em Cebu nós vimos como todos lutamos para fazer o dia do deserto e a revisão de vida. Devemos tratar este fato não como uma conclusão, mas como um ponto de partida. A conclusão é bastante óbvia e devemos ser honestos em relação a isso. Isto significa uma má qualidade de nossas reuniões, nossos relacionamentos, nossos ministérios e até mesmo nossa oração. É nossa pobreza e nossa falta de atenção ao essencial. Este é, também, o nosso caminho para a libertação e integridade, se assim o quisermos. Precisamos de uma firme determinação para comprometermo-nos em reservar um tempo regular e qualitativo de solidão no deserto, onde o Divino terapeuta poderia nos transformar e nos curar. Nossa revisão da vida não é simplesmente um relato de nossas vidas e ministérios, por mais honestos que sejamos. É, antes de tudo, um lugar de encontro com o Espírito que nos permite ver nossas vidas como Deus nos vê. Nossa partilha fraterna é um verdadeiro ponto de encontro, coração a coração. Na regularidade de tais encontros, crescemos juntos como irmãos da alma: mais confiantes, honestos, íntimos, verdadeiros, menos críticos, pretenciosos e defensivos, mais cuidadosos e mais comprometidos com o crescimento contínuo uns dos outros como discípulos bem-amados de Jesus em Nazaré, inspirado pelo Irmão Carlos. Este testemunho de fraternidade é para mim uma boa campanha vocacional.

Vem, Espírito Santo, vem

Permita-me falar um pouco sobre a próxima festa de Pentecostes. Está escrito no livro dos Atos dos Apóstolos: “Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam. Apareceram então línguas, como de fogo, que se repartiam e pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem” (Ac 2,1-4).

Com todo o respeito aos nossos especialistas em Bíblia, especialmente Emmanuel Asi, convido-vos a meditar este texto comigo. Parece que o lugar de predileção pelo Espírito Santo é quando as pessoas se reúnem intencionalmente numa comunidade de amigos, de irmãos (incluindo irmãs) que acreditam em Cristo ressuscitado. Em seu núcleo, uma comunidade, bem diferente de uma multidão, é a firme resolução de cada um dos seus membros em trabalhar incessantemente por aquilo que une, em vez de dividir, conscientes de que tudo é dom e que existe apenas um doador. Embora lutemos com as diferenças (lembrar delas é sempre difícil), continuamos caminhando e caindo na Fonte que nos une. A cada vez que rezamos: “Vem, Espírito Santo e renove a face da terra”, nós rezamos por aquilo que Jesus, o sumo sacerdote, sonhou para o mundo: “Pai, que todos sejam um, como você e eu somos um “(Jo, 17-21). O Espírito Santo, que dá vida (como professamos no Credo), anima, capacita, transforma e reúne toda a criação para torná-la uma imagem viva da unidade na Trindade, assim como no princípio. A terra inteira, e não somente o mundo humano, como fala carinhosamente o Papa Francisco, torna-se nossa casa comum onde a vida, em todas as suas formas, é venerada como sagrada e como um dom. Quando Paulo ensina a comunidade de Filipos a “colocar todas as coisas sob Cristo” (2,10), o Cristo é o ponto de referência universal para todas as coisas e não apenas para os cristãos. Para ser homens e mulheres do Espírito, portanto, temos que trabalhar sempre por aquilo que inclui, e não pelo que exclui, pelo diálogo, pela fraternidade universal com tudo o que existe.

O nome que Jesus dá ao Espírito é o Advogado. Jesus prometeu o advogado que nos ensinará tudo o que precisarmos saber. Em termos legais, o advogado significa um defensor. O Espírito é nossa defesa contra o espírito maligno operando em nosso mundo atual, seja nas estruturas políticas e econômicas, nas relações interpessoais, familiares ou comunitárias, inclusive nas subculturas dentro da igreja e da religião. É muito astuto e enganador, sempre disfarçado de bom e inclusive com licença para fazer o mal em nome de Deus. O texto nos diz que a vinda do Espírito invisível toma a forma visível de línguas de fogo que repousa sobre as cabeças de cada um dos apóstolos reunidos. Rezemos para que este fogo repouse sobre cada um de nós “para transformar nossos corações de pedra em corações de carne” e para nos tornar capazes de discernir muito bem onde se encontra o mal e o bem. Que o fogo da Verdade reaviva nossos corações com uma paixão por Jesus e pelo Reino. A outra imagem visível do Espírito Santo é um vento forte que preenche todo o lugar onde o povo estava reunido. Rezemos para que este vento forte quebre e transforme corações e instituições endurecidos pela indiferença, violência, ódio, ressentimento, exclusão que apenas divide a criação de Deus. Que o Espírito, que é um vento forte, amplie os espaços em cada coração humano para incluir os pobres, os marginalizados e os estrangeiros na família dos bem-amados filhos de Deus. Que nossas fraternidades sejam escolas do Espírito para que, inspiradas pelo irmão Carlos, nos tornemos discípulos apaixonados, amorosos, de Jesus em Nazaré em nosso mundo fragmentado e violento.

Irmão Carlos, o irmão universal

Finalmente, uma nota sobre o irmão Carlos. No início deste ano, a irmãzinha Kathleen de Jesus publicou um livro com o mesmo título. Ele contém os temas principais e eu gosto da maneira como está escrito. Muito obrigada, Kathleen. Como vocês já sabem, o irmão Carlos – sua vida, sua mensagem e suas intuições – deve ocupar um lugar importante em nossa formação permanente de presbíteros diocesanos. Isso é o que nos caracteriza. Quanto mais o conhecemos, mais conhecemos a Jesus, seu Bem-amado. O irmão Carlos não é apenas um ícone para ser venerado. Ele é um convite vivo, uma pessoa que toca em nosso profundo desejo de seguir a Jesus.

No que diz respeito ao chamado para ser um irmão universal, o irmãozinho Antoine Chatelard sublinha: “trata-se de ser um irmão antes de pensar em ser universal”. Como disse irmã Kathleen, na vida do irmão Carlos, a intuição de ser um irmão universal ocorreu, pela primeira vez, em outubro de 1901, quando o ele mudou-se para Beni Abbès. Graças à generosidade de sua prima Marie, ele conseguiu comprar um terreno, estrategicamente localizado a meio caminho, entre as cidades fortificadas e a guarnição francesa. Ele construiu, com a ajuda do exército francês, um pequeno mosteiro cercado por fileiras de grandes pedras. E esta é a chave. “Ele mesmo, raramente ultrapassava este limite, mas qualquer um podia entrar. Ele queria ser um irmão universal neste contexto de conflito envolvendo muitas partes opostas “(p.16).

Foi um momento de clarividência! O chamado para ser um irmão universal é, acima de tudo, o chamado para ser irmão. Para Irmão Carlos, ser irmão significa permanecer no meio, entre muitos lados opostos (nem preto e nem branco, mas cinza), o que não é a mesma coisa que estar no centro. Um irmão está imerso, enraizado, no meio da realidade com todos seus paradoxos, suas tensões e seus complexos pontos de crescimento, e nunca abandona sua posição. Se ele sai e se afasta do meio, acaba se tornando particular. Quando ele abraça um, acaba excluindo o outro. Ele não é um guardião de muros, que não tem posição concreta sobre questões sociais, políticas, econômicas, culturais ou mesmo eclesiais. Ao contrário, ele está bem informado sobre os acontecimentos e se posiciona sobre tudo. Quando opta pelos pobres e marginalizados, ele inclui os ricos. Precisamente, é somente estando no meio das coisas que ele pode abraçar todas as coisas como um irmão universal. E foi só então neste momento, graças a essa percepção evolutiva, que o irmão Carlos começou a chamar sua casa não de eremitério (onde vivia enclausurado, de acordo com uma regra de vida monástica), mas de Fraternidade, onde qualquer um poderia vir e ser bem acolhido.

No teto de sua casa, ele pinta a imagem do Sagrado Coração de Jesus, com os braços bem abertos para acolher quem quer que venha em sua fraternidade. Sua devoção e proximidade ardente com o Sagrado Coração de Jesus leva-o a imitar Jesus Caritas, o Irmão Universal por excelência, do qual ele é apenas um humilde testemunho que mostra Jesus.

Irmãos, agradeço por ler minha longa carta com generosa paciência. Eu continuo mantendo vocês, suas fraternidades e dioceses em minha oração, e rezo por todos os países. Por favor, orem por mim também, seu irmãozinho servidor.

No amor de Jesus, um grande e fraterno abraço

Eric Lozada

PDF: CARTA DO RESPONSÁVEL GERAL AOS IRMÃOS DO MUNDO – PT

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO: A boa política está ao serviço da Paz

PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ
1º DE JANEIRO DE 2019

1. «A paz esteja nesta casa!»

Jesus, ao enviar em missão os seus discípulos, disse-lhes: «Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: “A paz esteja nesta casa!” E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós» (Lc 10, 5-6).

Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo. E esta oferta é feita a todos os homens e mulheres que, no meio dos dramas e violências da história humana, esperam na paz.[1] A «casa», de que fala Jesus, é cada família, cada comunidade, cada país, cada continente, na sua singularidade e história; antes de mais nada, é cada pessoa, sem distinção nem discriminação alguma. E é também a nossa «casa comum»: o planeta onde Deus nos colocou a morar e do qual somos chamados a cuidar com solicitude.

Eis, pois, os meus votos no início do novo ano: «A paz esteja nesta casa!»

2. O desafio da boa política

A paz parece-se com a esperança de que fala o poeta Carlos Péguy;[2] é como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência. Como sabemos, a busca do poder a todo o custo leva a abusos e injustiças. A política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, mas, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode tornar-se instrumento de opressão, marginalização e até destruição.

«Se alguém quiser ser o primeiro – diz Jesus – há de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). Como assinalava o Papa São Paulo VI, «tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial – é afirmar o dever do homem, de todos os homens, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade».[3]

Com efeito, a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo. Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade.

3. Caridade e virtudes humanas para uma política ao serviço dos direitos humanos e da paz

O Papa Bento XVI recordava que «todo o cristão é chamado a esta caridade, conforme a sua vocação e segundo as possibilidades que tem de incidência na pólis. (…) Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular e político. (…) A ação do homem sobre a terra, quando é inspirada e sustentada pela caridade, contribui para a edificação daquela cidade universal de Deus que é a meta para onde caminha a história da família humana».[4] Trata-se de um programa no qual se podem reconhecer todos os políticos, de qualquer afiliação cultural ou religiosa, que desejam trabalhar juntos para o bem da família humana, praticando as virtudes humanas que subjazem a uma boa ação política: a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade.

A propósito, vale a pena recordar as «bem-aventuranças do político», propostas por uma testemunha fiel do Evangelho, o Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, falecido em 2002:

Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel.
Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade.
Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses.
Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente.
Bem-aventurado o político que realiza a unidade.
Bem-aventurado o político que está comprometido na realização duma mudança radical.
Bem-aventurado o político que sabe escutar.
Bem-aventurado o político que não tem medo.[5]

Cada renovação nos cargos eletivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida pública constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito. Duma coisa temos a certeza: a boa política está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recíprocos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras.

4. Os vícios da política

A par das virtudes, não faltam infelizmente os vícios, mesmo na política, devidos quer à inépcia pessoal quer às distorções no meio ambiente e nas instituições. Para todos, está claro que os vícios da vida política tiram credibilidade aos sistemas dentro dos quais ela se realiza, bem como à autoridade, às decisões e à ação das pessoas que se lhe dedicam. Estes vícios, que enfraquecem o ideal duma vida democrática autêntica, são a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social: a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas –, a negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da «razão de Estado», a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo, a recusa a cuidar da Terra, a exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato, o desprezo daqueles que foram forçados ao exílio.

5. A boa política promove a participação dos jovens e a confiança no outro

Quando o exercício do poder político visa apenas salvaguardar os interesses de certos indivíduos privilegiados, o futuro fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por se verem condenados a permanecer à margem da sociedade, sem possibilidades de participar num projeto para o futuro. Pelo contrário, quando a política se traduz, concretamente, no encorajamento dos talentos juvenis e das vocações que requerem a sua realização, a paz propaga-se nas consciências e nos rostos. Torna-se uma confiança dinâmica, que significa «fiome de ti e creio contigo» na possibilidade de trabalharmos juntos pelo bem comum. Por isso, a política é a favor da paz, se se expressa no reconhecimento dos carismas e capacidades de cada pessoa. «Que há de mais belo que uma mão estendida? Esta foi querida por Deus para dar e receber. Deus não a quis para matar (cf. Gn 4, 1-16) ou fazer sofrer, mas para cuidar e ajudar a viver. Juntamente com o coração e a inteligência, pode, também a mão, tornar-se um instrumento de diálogo».[6]

Cada um pode contribuir com a própria pedra para a construção da casa comum. A vida política autêntica, que se funda no direito e num diálogo leal entre os sujeitos, renova-se com a convicção de que cada mulher, cada homem e cada geração encerram em si uma promessa que pode irradiar novas energias relacionais, intelectuais, culturais e espirituais. Uma tal confiança nunca é fácil de viver, porque as relações humanas são complexas. Nestes tempos, em particular, vivemos num clima de desconfiança que está enraizada no medo do outro ou do forasteiro, na ansiedade pela perda das próprias vantagens, e manifesta-se também, infelizmente, a nível político mediante atitudes de fechamento ou nacionalismos que colocam em questão aquela fraternidade de que o nosso mundo globalizado tanto precisa. Hoje, mais do que nunca, as nossas sociedades necessitam de «artesãos da paz» que possam ser autênticos mensageiros e testemunhas de Deus Pai, que quer o bem e a felicidade da família humana.

6. Não à guerra nem à estratégia do medo

Cem anos depois do fim da I Guerra Mundial, ao recordarmos os jovens mortos durante aqueles combates e as populações civis dilaceradas, experimentamos – hoje, ainda mais que ontem – a terrível lição das guerras fratricidas, isto é, que a paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo. Manter o outro sob ameaça significa reduzi-lo ao estado de objeto e negar a sua dignidade. Por esta razão, reiteramos que a escalada em termos deintimidação, bem como a proliferação descontrolada das armas são contrárias à moral e à busca duma verdadeira concórdia. O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura duma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança. Ao contrário, deve-se reafirmar que a paz se baseia no respeito por toda a pessoa, independentemente da sua história, no respeito pelo direito e o bem comum, pela criação que nos foi confiada e pela riqueza moral transmitida pelas gerações passadas.

O nosso pensamento detém-se, ainda e de modo particular, nas crianças que vivem nas zonas atuais de conflito e em todos aqueles que se esforçam por que a sua vida e os seus direitos sejam protegidos. No mundo, uma em cada seis crianças sofre com a violência da guerra ou pelas suas consequências, quando não é requisitada para se tornar, ela própria, soldado ou refém dos grupos armados. O testemunho daqueles que trabalham para defender a dignidade e o respeito das crianças é extremamente precioso para o futuro da humanidade.

7. Um grande projeto de paz

Celebra-se, nestes dias, o septuagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada após a II Guerra Mundial. A este respeito, recordemos a observação do Papa São João XXIII: «Quando numa pessoa surge a consciência dos próprios direitos, nela nascerá forçosamente a consciência do dever: no titular de direitos, o dever de reclamar esses direitos, como expressão da sua dignidade; nos demais, o dever de reconhecer e respeitar tais direitos».[7]

Com efeito, a paz é fruto dum grande projeto político, que se baseia na responsabilidade mútua e na interdependência dos seres humanos. Mas é também um desafio que requer ser abraçado dia após dia. A paz é uma conversão do coração e da alma, sendo fácil reconhecer três dimensões indissociáveis desta paz interior e comunitária:

– a paz consigo mesmo, rejeitando a intransigência, a ira e a impaciência e – como aconselhava São Francisco de Sales – cultivando «um pouco de doçura para consigo mesmo», a fim de oferecer «um pouco de doçura aos outros»;
– a paz com o outro: o familiar, o amigo, o estrangeiro, o pobre, o atribulado…, tendo a ousadia do encontro, para ouvir a mensagem que traz consigo;
– a paz com a criação, descobrindo a grandeza do dom de Deus e a parte de responsabilidade que compete a cada um de nós, como habitante deste mundo, cidadão e ator do futuro.

A política da paz, que conhece bem as fragilidades humanas e delas se ocupa, pode sempre inspirar-se ao espírito do Magnificat que Maria, Mãe de Cristo Salvador e Rainha da Paz, canta em nome de todos os homens: A «misericórdia [do Todo-Poderoso] estende-se de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes (…), lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre» (Lc 1, 50-55).

Vaticano, 8 de dezembro de 2018.

Franciscus


[1] Cf. Lc 2, 14: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado».
[2] Cf. Le Porche du mystère de la deuxième vertu (Paris 1986).
[3] Carta ap. Octogesima adveniens (14/V/1971), 46.
[4] Carta enc. Caritas in veritate (29/V/2009), 7.
[5] Cf. «Discurso na Exposição-Encontro “Civitas” de Pádua»: Revista 30giorni (2002-nº 5).
[6] Bento XVI, Discurso às Autoridades do Benim (Cotonou, 19/XI/2011).
[7] Carta enc. Pacem in terris (11/IV/1963), 24 (44).

© Copyright – Libreria Editrice Vaticana


PDF: PF 1_1_2019 pt

Carta de Advento, 2018, irmão responsável

Queridos irmãos,

neste dia da festa de nosso irmão Carlos iniciamos o Advento: as semanas de esperança que são um reflexo de toda a esperança da humanidade. Nossa humanidade, numa crise permanente, uma crise humanitária em muitos aspectos, dói-nos a todos, e não podemos ocultá-la em nossa Igreja nem permanecer indiferentes. As celebrações com nossas comunidades, a oração pessoal, a vida na fraternidade, sejam de proximidade a essa parte da humanidade que vivemos em nossos lugares e naqueles que estão longe. O Advento nos motiva a escutar a voz que clama no deserto de todos os que levantam sua voz pela supervivência, seus desejos de paz, de trabalho, de liberdade. A humanidade continua esperando uma libertação; os pobres que esperam salvação, os ameaçados pela guerra, os deslocados buscando um lugar seguro… São milhões de pessoas nesta situação. Para eles também se anuncia Jesus, e nós, como missionários, devemos anuncia-lo.

A Igreja vive um momento difícil pela crise que provoca a denúncia dos abusos a menores, e o papa Francisco está respondendo com humildade e coragem ante o mundo. Isto é um testemunho de procura da verdade. Francisco também é testemunha da verdade.

Estamos preparando nossa assembleia mundial 2019. Somos chamados a refletir sobre nossa identidade como presbíteros diocesanos missionários no carisma de Carlos de FOUCAULD. É uma tarefa de todos os irmãos, apoiando aos responsáveis regionais, orando por todos os irmãos do mundo, pelas fraternidades que se iniciam e pelas que envelhecem.

UMA HUMANIDADE EM CRISE

Todos os dias recebemos más notícias de homens e mulheres, crianças, jovens e idosos, que sofrem por causas que não sempre estão claras para a opinião pública e os meios de comunicação. Sabemos que depende muitas vezes dos interesses ocultos de potências económicas e dos governos que ocultam realidades muito duras em seus países, mesmo se estes pertencem ao “Primeiro Mundo”. As vítimas das guerras, da violência, do narcotráfico, da hegemonia do homem sobre a mulher em muitas culturas, as vítimas da pobreza, clamam neste deserto, onde abundam as vozes pedindo justiça. Vozes que se misturam com outras que buscam vingança, o as de “aqui não passa nada”, ou “que voltem a seu país”. Nós também temos uma voz: a voz de Jesus, o anunciado pelos profetas. Uma voz que deve nascer de nossa fé, nossa vocação missionária, nesse estilo de Nazaré que é estar com as personas de nossa aldeia ou cidade, com os mais humildes deles, porque só os humildes nos ensinam a ser humildes. O irmão Carlos descobriu Jesus no meio da gente simples: apreendamos dele.

UM ADVENTO QUE NOS CONVIDA A SER RECETIVOS

Este tempo de Advento é um convite a escutar, a parar o tempo do relógio e, em atitude contemplativa, estar á escuta da l Palavra, do silêncio de Deus na adoração, e escutar os irmãos: os irmãos da fraternidade, os irmãos sacerdotes de nosso presbitério diocesano a quem, ás vezes, nos custa tanto escutar e aceitar porque os preconceitos matam o diálogo e o encontro; as pessoas que acodem a nós buscando respostas a seus problemas, ou os que compartem conosco o trabalho pastoral, social ou, simplesmente, como vizinhos. Abramos a porta, deixemos o melhor canto de nossa casa a quem procura, e não nos acostumemos a una dinâmica de bons conselhos e palavras fáceis. Mostrar nossa pobreza, nossas limitações para reparar “máquinas avariadas”, corações feridos, é deixar Deus fazer. Ele sim, é imprescindível. Ele cura. Jesus não é indiferente a nada, e neste Advento encoraja-nos a abrir o coração e deixar-nos inundar pelo amor de Deus e o amor da gente. Recobremos a alegria de seguir Jesus e ajudemos muitas pessoas tristes a transformar seu fracasso em triunfo, a amar-se a si próprias um pouco mais.

UMA IGREJA QUE SOFRE

Estamos todos sofrendo as consequências dos abusos a menores ocultados em muitas dioceses do mundo. A Igreja perde credibilidade, garantias, etc. Poderíamos dizer que sempre aconteceu assim, que isto era inevitável… Não seriamos fiéis á verdade. Sabemos que esta crise aberta ainda não se fechou. Nosso papa Francisco está sofrendo também por todo isso, e está dando a cara ante o mundo, pedindo perdão em nome dos que fizeram mal a outros, escutando, abrindo caminhos de solução para uma justiça em favor das vítimas, e este homem merece nosso apoio. Vivamos em comunhão com o papa Francisco, com inimigos em sua própria Igreja, mas com o apoio de toda a gente de bem, sejam eles crentes ou não, que veem em Francisco um profeta de nosso tempo, um homem coerente que, a pesar de ser “chefe de Estado”, é um ser humano sensível ao sofrimento da humanidade. Eu estou certo que, de toda esta crise, vai sair algo muito positivo para a vida da Igreja y o anúncio do Reino. Unamos nossa oração para fazer fraternidade com o papa, desde onde estamos.

O 1 DE DEZEMBRO

Faz 102 anos Carlos de FOUCAULD pôs-se definitivamente nas mãos do Pai. Hoje é um dia para dar graças a Deus por ele, pelo que nos transmitiu com suas intuições, pela missão que realizou junto ás pessoas que foram seus vizinhos, por seus sonhos de louco. O irmão Carlos nos ajuda em nossa vocação e nossa espiritualidade a viver a amizade com Jesus e com a gente, no Nazaré que cada um de nós vivemos, com nossa idade e vontade de viver, no silêncio e no anúncio. É uma prenda de Deus que merece nossa ação de graças continuamente. Tenhamos um tempo para valorar este dom: ponhamos na adoração deste dia perante Jesus tudo o que nos chegou de Carlos de FOUCAULD que, provavelmente, no sejam tanto seus escritos espirituais como seu testemunho de vida, de amor, de abandono, de confiança e generosidade.

Façamos a Oração de Abandono embora nos custe aceitar que estamos longe ainda de a fazer nossa completamente.

NOSSA ASSEMBLEIA MUNDIAL

Do 15 ao 30 de janeiro de 2019 celebraremos nossa Assembleia Mundial da fraternidade em Cebu, Filipinas. O tema central é aprofundar em nosso caráter de presbíteros diocesanos missionários no carisma de Carlos de FOUCAULD. Tudo o que se refere á assembleia está anunciado em nosso site iesuscaritas.org

Na barra verde de início se encontra o questionário preparatório, programa da assembleia, a folha de inscrição… Até agora são poucas as inscrições recebidas e só um continente (América) apresentou as respostas ao questionário, bem como algumas fraternidades regionais. É conveniente que não deixemos para o último momento estas tarefas. Coragem com tudo. Eu sei que todos estamos muito ocupados e temos pouco tempo. Façamos um esforço. Me enche de alegria receber correios com inscrições e respostas ao questionário, e compreendo as dificuldades que isto supõe para algumas fraternidades.

Á assembleia assistirão todos os responsáveis regionais ou delegados, anteriores responsáveis internacionais e os responsáveis continentais. Alguns de nossos irmãos não podem pagar suas viagens, pelas situações de seu país. A fraternidade mundial assume estas despesas na medida do possível, mas atualmente é muito difícil poder chegar a cobrir todas as necessidades. Algumas fraternidades de Europa e América responderam pagando o bilhete de um irmão da África, da própria América… Obrigado. Peço ás fraternidades vossa disponibilidade para ajudar em sua viagem irmãos de Haiti, Burkina Faso, República Centro-africana, Chade, Congo, Camarões, Ruanda, Madagascar, Paquistão, Índia, Bangladesh, que ainda não tem seu bilhete de aéreo. É um esforço importante que fará possível a presença e participação destes irmãos em Filipinas.

Obrigado aos irmãos filipinos por todo o trabalho no lugar para tornar possível a assembleia, e confiemos na boa vontade de todos os irmãos do mundo em demostrar que a fraternidade é algo mais que um grupo de padres, uma forma de espiritualidade: é compartir o que temos. Obrigado.

Nosso próximo irmão responsável, que elegeremos em Cebu, e sua nova equipe nos ajudarão a continuar fazendo possível a fraternidade desde nossas realidades e sonhos.

UM PASSO PARA O NATAL

Nestas semanas de preparação ao Natal vamos dispor o melhor lugar de nossa vida àquele que chega para ficar. Os anjos anunciaram aos pastores a Boa Notícia, e nos anunciam muitas alegrias. Existem anjos que nos chamam á porta, ou pelo telefone, ou na rua, e que nos dizem, ás vezes sem o saberem, que Deus está junto a nós. Existem rostos que nos fazem ver Jesus no hospital, na cadeia, nos lugares de acolhimento dos refugiados. Anjos nas pessoas de nossos irmãos doentes ou muito idosos, que deram tudo pela Igreja, pela fraternidade, pelos pobres. Rostos das pessoas anónimas que fazem o bem sem esperar nada em troca. Os anjos da gente simples de nossas paróquias que nos ajudam na pastoral, ou com sua presença nas celebrações, ou nos oferecem o melhor que têm de sua proximidade e amizade. São anjos sem asas, mas com uma voz que ninguém pode silenciar.

Com a esperança neste Advento de um mundo melhor, uma Igreja libre de tristezas do passado, uma fraternidade de irmãos que trabalham nas tarefas do Reino, um mundo renovado pelo esforço pela paz, pelos Direitos Humanos, contra todas as desigualdades, meu desejo de um Natal cheio de Deus, de Jesus irmão e amigo. Um grande abraço.

Aurelio SANZ BAEZA, irmão responsável

Perín, Cartagena, Murcia, Espanha, 1 de dezembro 2018,
festa do bem-aventurado Carlos de FOUCAULD

(Muito obrigado, irmãzinha Josefa, para a tradução)

PDF: Carta de Advento, 2018, irmão responsável, port