Carta de Eric

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CARTA DO RESPONSÁVEL GERAL AOS IRMÃOS DO MUNDO

“O Advogado, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que Eu vos disse” (Jo 14,26)

Minhas calorosas saudação a todos vocês, meus queridos irmãos

Com toda humildade eu confesso, pessoalmente, o porquê demorei tanto tempo para escrever-lhes esta carta. Me sentei muitas vezes diante do meu computador sem saber o que e como escrever. Me senti como uma mulher grávida a ponto de dar à luz, mas com a pélvis demasiada estreita para o recém-nascido. Lutei com as palavras mas a luta maior foi com meu coração, procurando ter o espírito e a disposição apropriada de um irmão. Como muitos de vocês são somente nomes para mim, sem rostos e nem histórias que partilhamos para qualificar nossa união entre irmãos, eu necessitava de tempo para me colocar na presença amorosa do Pai que me convida a deixar o conforto de minha terra natal e me envia como um irmão missionário. Eu necessitava de momentos de oração para desnudar-me diante de Jesus, aquela nudez que o espírito de Nazaré nos convida, você e eu, nesta grande aventura de movimento descendente, vivendo simplesmente com simplicidade e alegria, tanto no cotidiano como na obscuridade, encontrando o último lugar, consumido pelo evangelho do maior e do menor, vendo Jesus nos pobres, o apostolado do bem, não para reinar, mas para servir, para ser pobre em espírito por causa do Reino. Eu precisava de espaço para ser reavivado pela espiritualidade, vida e intuições do Irmão Carlos, por meio do testemunho de irmãos e irmãs que vivem profundamente enraizados na vida e tradição da Fraternidade. O encontro com a família espiritual no Haiti, em abril passado, minhas visitas aos irmãos no Haiti, na República Dominicana e nos Estados Unidos, e meu retiro num mosteiro trapista na Geórgia, foram uma imensa ajuda para mim. (Estes assuntos serão o tema de minha próxima carta). Jesus também tinha necessidade deste espaço em meu coração para minha conversão, porque, mesmo que eu já participe há 30 anos na Fraternidade, e já tenha feito três vezes o Mês de Nazaré, ainda tenho comportamentos pouco saudáveis e imaturos que poderiam se tornar obstáculo para eu viver este ministério. Sendo um projeto inacabado, eu necessito de seus comentários sinceros e seus conselhos fraternos. Por favor, diga-me e eu ficarei feliz em recebê-los como um presente para minha educação continuada.

Como vocês devem saber, antes de ser eleito responsável Internacional, meu mundo girava em torno da minha pequena fraternidade, numa cidadezinha, sem televisão nem internet, como capelão de um pequeno mosteiro carmelita, e diretor de estudos de um pequeno seminário universitário, vindo de uma pequena diocese das Filipinas. Meu mundo era tão pequeno, meu jeito de viver era muito rural e a ideia de escrever uma carta para irmãos do mundo inteiro era, no mínimo, assustadora. Agradeço ao Espirito Santo por me ajudar a escreve-la. Rezo para que minhas palavras não se interponha à maneira do Espirito Santo ensinar-nos tudo o que Jesus quer que saibamos. Agradeço sua generosa paciência. Peço desculpas àqueles irmãos que se sentem órfãos por causa do meu longo silêncio. Em meu silêncio, em minha oração, eu rezei por vocês, seus nomes, uma vez ao dia (graças ao repertório).

Um outro olhar sobre a Assembleia de Cebu, e mais além

Nossa Assembleia de Cebu em janeiro passado foi, de fato, “uma preciosa manifestação do Espírito de Pentecostes”. Minha alegria fraterna e minha sincera gratidão a todos vocês que rezaram por nós enquanto estávamos em assembleia. A nossos responsáveis continentais e nacionais com nossos antigos responsáveis internacionais: Mariano e Abraham, que viajaram até o outro lado do mundo para participarem desta assembleia, muito obrigado. À equipe internacional anterior: Aurélio, Jean François, Emmanuel, Mark e Maurício, por seu excelente trabalho de organização e pelo árduo trabalho durante a assembleia, muito obrigado. Somente podemos construir sobre o trabalho que vocês generosamente realizaram. Agradeço particularmente ao Aurélio pela herança do site na internet: iesuscaritas.org e a José Alberto Hernandis, que se dispôs a gerenciar nosso site na internet. Minha alegria e gratidão aos membros de minha equipe, com Tony Llanes como meu corresponsável internacional, que estão muito disponíveis para servir. Como estamos a serviço da Fraternidade Internacional, peço que nos escrevam suas preocupações, notícias, convites, comentários e histórias. Pessoalmente, eu os escolho para representar os quatro continentes, de maneira a facilitar o acesso às notícias. Abaixo deixo nossos contatos:

Eric Lozada ericlozada@yahoo.com + 63 9167939585;
Tony Llanes stonyllanes@yahoo.com + 63 9183908488;
Fernando Tapia ftapia@iglesia.cl + 56 988880397
Honore Savadogo sawono2002@yahoo.com + 226 70717642
Matthias Keil Matthias.keil@graz-seckau.at + 43 67687426115.

Assim como você confia em nós, podemos também confiar em você, para nos ajudar? Mais que uma dinâmica de cima para baixo, desejamos ter mais diálogo, transparência, reciprocidade e feedback nestes diferentes níveis de comunicação. Para começar, nos reuniremos do 11 a 18 de outubro na Coréia do Sul, e agradecíamos qualquer coisa de tua parte, seja pessoal, local, nacional ou regional, que queira que consideremos e respondamos. Você pode envia-las pra mim ou ao responsável continental da equipe.

Irmãos, a carta de Cebu não é um documento acabado. É um trabalho que está em andamento. Permita-me de convidá-lo (sejamos unidos nisso) a torna-la um assunto de leitura e discussão pessoal e da fraternidade. Em Cebu, nos comprometemos em ser sacerdotes diocesanos missionários, inspirados pelo testemunho do Irmão Carlos. Contemplamos as realidades de nossa sociedade, nossa Igreja e nossas fraternidades a partir de diferentes continentes e países. Ouvimos o chamado do Espírito para nos tornarmos Igreja nas periferias (graças à liderança profética do Papa Francisco). Com base nestes apelos que ouvimos, estamos firmemente decididos em dar passos concretos e estratégicos para o desenvolvimento de nossa sociedade, nossa igreja e nossas fraternidades.

Gostaria de convidá-lo para, em sua análise e discussão, tratar este documento como um amigo cujas palavras, cheias do Espírito, são transformadoras e proféticas. A realidade é muito complexa: a violência, terrorismo, injustiça, tráfico, uma grave crise ecológica, migração, a globalização da indiferença, o fundamentalismo, a secularização (e a lista é muito longa). Quase imediatamente tendemos em observar essa realidade a partir de fora. Essa atitude não é muito benéfica. Como padres diocesanos, devemos nos envolver mais, pedindo ao Espírito que nos dê coragem e humildade, para ver a realidade com um olhar profundo e amoroso sobre nossas estruturas e subculturas interiores: valores, mentalidade, modo de vida, preconceitos, atitudes, preferências, desejos. Nomeamos as muitas maneiras sutis pelas quais fazemos parte no problema. Partilhamos nossas conquistas com irmãos de nossa fraternidade que poderiam nos ajudar em nosso crescimento. Talvez o maior presente que podemos oferecer ao nosso mundo hoje é reconhecer que fazemos parte do problema. Esperemos que, com corações arrependidos e transformados, nos tornemos também, parte da solução.

O Espírito nas chama a ser uma Igreja em saída. Peçamos ao Espírito o dom da coragem e da confiança para explorar juntos as periferias da nossa alma: as partes rejeitadas, feias, desprezadas, profundamente enterradas e ocultas de nós mesmos que devemos expressar, possuir, aceitar, abraçar para nós curar. Aqui, precisamos da intimidade de nossa fraternidade para poder partilhar nossas feridas mais profundas sem ser julgados. Se necessário, podemos consultar um profissional para nosso continuo crescimento e nossa cura. Então, da próxima vez que formos às periferias, seremos diferentes. Seremos missionários interiormente mais livres e felizes. Triste é quando vamos com nossas feridas não curadas, aparentando o que não somos interiormente. Pois nos tornamos cegos, precisando de ajuda, cheios de nós mesmos e nem sequer sabemos disso. Esquecemos a agenda de Jesus e do Reino. Como um cego pode conduzir outro cego? Estou convencido de que o melhor presente missionário que podemos oferecer ao povo de Deus, especialmente aos pobres, é o cuidado conosco mesmos, para nossa transformação contínua como discípulos missionários de Jesus.

Irmãos, em Cebu nós vimos como todos lutamos para fazer o dia do deserto e a revisão de vida. Devemos tratar este fato não como uma conclusão, mas como um ponto de partida. A conclusão é bastante óbvia e devemos ser honestos em relação a isso. Isto significa uma má qualidade de nossas reuniões, nossos relacionamentos, nossos ministérios e até mesmo nossa oração. É nossa pobreza e nossa falta de atenção ao essencial. Este é, também, o nosso caminho para a libertação e integridade, se assim o quisermos. Precisamos de uma firme determinação para comprometermo-nos em reservar um tempo regular e qualitativo de solidão no deserto, onde o Divino terapeuta poderia nos transformar e nos curar. Nossa revisão da vida não é simplesmente um relato de nossas vidas e ministérios, por mais honestos que sejamos. É, antes de tudo, um lugar de encontro com o Espírito que nos permite ver nossas vidas como Deus nos vê. Nossa partilha fraterna é um verdadeiro ponto de encontro, coração a coração. Na regularidade de tais encontros, crescemos juntos como irmãos da alma: mais confiantes, honestos, íntimos, verdadeiros, menos críticos, pretenciosos e defensivos, mais cuidadosos e mais comprometidos com o crescimento contínuo uns dos outros como discípulos bem-amados de Jesus em Nazaré, inspirado pelo Irmão Carlos. Este testemunho de fraternidade é para mim uma boa campanha vocacional.

Vem, Espírito Santo, vem

Permita-me falar um pouco sobre a próxima festa de Pentecostes. Está escrito no livro dos Atos dos Apóstolos: “Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam. Apareceram então línguas, como de fogo, que se repartiam e pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem” (Ac 2,1-4).

Com todo o respeito aos nossos especialistas em Bíblia, especialmente Emmanuel Asi, convido-vos a meditar este texto comigo. Parece que o lugar de predileção pelo Espírito Santo é quando as pessoas se reúnem intencionalmente numa comunidade de amigos, de irmãos (incluindo irmãs) que acreditam em Cristo ressuscitado. Em seu núcleo, uma comunidade, bem diferente de uma multidão, é a firme resolução de cada um dos seus membros em trabalhar incessantemente por aquilo que une, em vez de dividir, conscientes de que tudo é dom e que existe apenas um doador. Embora lutemos com as diferenças (lembrar delas é sempre difícil), continuamos caminhando e caindo na Fonte que nos une. A cada vez que rezamos: “Vem, Espírito Santo e renove a face da terra”, nós rezamos por aquilo que Jesus, o sumo sacerdote, sonhou para o mundo: “Pai, que todos sejam um, como você e eu somos um “(Jo, 17-21). O Espírito Santo, que dá vida (como professamos no Credo), anima, capacita, transforma e reúne toda a criação para torná-la uma imagem viva da unidade na Trindade, assim como no princípio. A terra inteira, e não somente o mundo humano, como fala carinhosamente o Papa Francisco, torna-se nossa casa comum onde a vida, em todas as suas formas, é venerada como sagrada e como um dom. Quando Paulo ensina a comunidade de Filipos a “colocar todas as coisas sob Cristo” (2,10), o Cristo é o ponto de referência universal para todas as coisas e não apenas para os cristãos. Para ser homens e mulheres do Espírito, portanto, temos que trabalhar sempre por aquilo que inclui, e não pelo que exclui, pelo diálogo, pela fraternidade universal com tudo o que existe.

O nome que Jesus dá ao Espírito é o Advogado. Jesus prometeu o advogado que nos ensinará tudo o que precisarmos saber. Em termos legais, o advogado significa um defensor. O Espírito é nossa defesa contra o espírito maligno operando em nosso mundo atual, seja nas estruturas políticas e econômicas, nas relações interpessoais, familiares ou comunitárias, inclusive nas subculturas dentro da igreja e da religião. É muito astuto e enganador, sempre disfarçado de bom e inclusive com licença para fazer o mal em nome de Deus. O texto nos diz que a vinda do Espírito invisível toma a forma visível de línguas de fogo que repousa sobre as cabeças de cada um dos apóstolos reunidos. Rezemos para que este fogo repouse sobre cada um de nós “para transformar nossos corações de pedra em corações de carne” e para nos tornar capazes de discernir muito bem onde se encontra o mal e o bem. Que o fogo da Verdade reaviva nossos corações com uma paixão por Jesus e pelo Reino. A outra imagem visível do Espírito Santo é um vento forte que preenche todo o lugar onde o povo estava reunido. Rezemos para que este vento forte quebre e transforme corações e instituições endurecidos pela indiferença, violência, ódio, ressentimento, exclusão que apenas divide a criação de Deus. Que o Espírito, que é um vento forte, amplie os espaços em cada coração humano para incluir os pobres, os marginalizados e os estrangeiros na família dos bem-amados filhos de Deus. Que nossas fraternidades sejam escolas do Espírito para que, inspiradas pelo irmão Carlos, nos tornemos discípulos apaixonados, amorosos, de Jesus em Nazaré em nosso mundo fragmentado e violento.

Irmão Carlos, o irmão universal

Finalmente, uma nota sobre o irmão Carlos. No início deste ano, a irmãzinha Kathleen de Jesus publicou um livro com o mesmo título. Ele contém os temas principais e eu gosto da maneira como está escrito. Muito obrigada, Kathleen. Como vocês já sabem, o irmão Carlos – sua vida, sua mensagem e suas intuições – deve ocupar um lugar importante em nossa formação permanente de presbíteros diocesanos. Isso é o que nos caracteriza. Quanto mais o conhecemos, mais conhecemos a Jesus, seu Bem-amado. O irmão Carlos não é apenas um ícone para ser venerado. Ele é um convite vivo, uma pessoa que toca em nosso profundo desejo de seguir a Jesus.

No que diz respeito ao chamado para ser um irmão universal, o irmãozinho Antoine Chatelard sublinha: “trata-se de ser um irmão antes de pensar em ser universal”. Como disse irmã Kathleen, na vida do irmão Carlos, a intuição de ser um irmão universal ocorreu, pela primeira vez, em outubro de 1901, quando o ele mudou-se para Beni Abbès. Graças à generosidade de sua prima Marie, ele conseguiu comprar um terreno, estrategicamente localizado a meio caminho, entre as cidades fortificadas e a guarnição francesa. Ele construiu, com a ajuda do exército francês, um pequeno mosteiro cercado por fileiras de grandes pedras. E esta é a chave. “Ele mesmo, raramente ultrapassava este limite, mas qualquer um podia entrar. Ele queria ser um irmão universal neste contexto de conflito envolvendo muitas partes opostas “(p.16).

Foi um momento de clarividência! O chamado para ser um irmão universal é, acima de tudo, o chamado para ser irmão. Para Irmão Carlos, ser irmão significa permanecer no meio, entre muitos lados opostos (nem preto e nem branco, mas cinza), o que não é a mesma coisa que estar no centro. Um irmão está imerso, enraizado, no meio da realidade com todos seus paradoxos, suas tensões e seus complexos pontos de crescimento, e nunca abandona sua posição. Se ele sai e se afasta do meio, acaba se tornando particular. Quando ele abraça um, acaba excluindo o outro. Ele não é um guardião de muros, que não tem posição concreta sobre questões sociais, políticas, econômicas, culturais ou mesmo eclesiais. Ao contrário, ele está bem informado sobre os acontecimentos e se posiciona sobre tudo. Quando opta pelos pobres e marginalizados, ele inclui os ricos. Precisamente, é somente estando no meio das coisas que ele pode abraçar todas as coisas como um irmão universal. E foi só então neste momento, graças a essa percepção evolutiva, que o irmão Carlos começou a chamar sua casa não de eremitério (onde vivia enclausurado, de acordo com uma regra de vida monástica), mas de Fraternidade, onde qualquer um poderia vir e ser bem acolhido.

No teto de sua casa, ele pinta a imagem do Sagrado Coração de Jesus, com os braços bem abertos para acolher quem quer que venha em sua fraternidade. Sua devoção e proximidade ardente com o Sagrado Coração de Jesus leva-o a imitar Jesus Caritas, o Irmão Universal por excelência, do qual ele é apenas um humilde testemunho que mostra Jesus.

Irmãos, agradeço por ler minha longa carta com generosa paciência. Eu continuo mantendo vocês, suas fraternidades e dioceses em minha oração, e rezo por todos os países. Por favor, orem por mim também, seu irmãozinho servidor.

No amor de Jesus, um grande e fraterno abraço

Eric Lozada

PDF: CARTA DO RESPONSÁVEL GERAL AOS IRMÃOS DO MUNDO – PT

Carta de Cebu, janeiro 2019, assembleia internacional

Destaque

De 15 a 29 de janeiro de 2019, ganhamos um magnífico presente do Senhor: a Assembleia Internacional da Fraternidade Jesus + Caritas, nas Filipinas. Nos hospedamos na Talavera, “House of Prayer, Casa de Oração” dos Agostianianos Recoletos, em Cebu, e ali vivemos uma bela experiência de fraternidade universal à luz deste tema: “Sacerdotes missionários diocesanos, inspirados no testemunho de Carlos de Foucauld”.

Somos muito gratos às fraternidades sacerdotais Jesus Caritas das Filipinas, bem como à Igreja diocesana de Cebu, representada pelo seu pastor, Dom José Palma, que nos acolheu com generosidade. Somos 42 irmãos vindos da África, América, Ásia e Europa, cada um com sua língua, sua cultura, sua história, suas experiências, seus testemunhos … Foi uma bela e preciosa manifestação do Espírito de Pentecostes.

Tivemos a alegria de encontrar o povo de Deus em Cebu, participando nas celebrações eucarísticas dominicais. As festividades de “Señor Santo Niño” e “San Sebastián” nos fizeram ver um povo apaixonado por Deus, e que celebra com uma alegria contagiante.

Dois acontecimentos nos deixaram felizes e entristecidos durante a assembleia: a libertação de nosso irmão Denis Sekamana, em Ruanda, depois de uma longa prisão, e o ataque em 27 de janeiro na Catedral de Jolo, com teve mais de vinte mortos e mais de 80 feridos. Rezamos por todas as vítimas e pelo progresso da paz.

CONTEMPLAÇÃO DA REALIDADE

A equipe internacional coordenou efetivamente as atividades da assembleia através de uma metodologia em três etapas: contemplar a realidade, discernir e comprometer. Começamos ouvindo as realidades que as fraternidades vivem em seus respectivos países.

Na sociedade

  • Progressivamente, a distribuição de riquezas vai piorando. Os ricos ficando cada vez mais ricos, enquanto os pobres são deixados na miséria.
  • Os pobres lutam para defender seus direitos, mas são as primeiras vítimas da violência e do tráfico de todos os tipos, que surgem da pobreza. O desprezo dos homens pelo meio ambiente e a exploração abusiva dos recursos do planeta causaram uma grave crise ecológica, e os pobres são as principais vítimas.
  • As migrações causadas pela violência e pela insegurança se expandem, no entanto, os países ricos fecham suas fronteiras.
  • Em alguns países a capacidade de seus governantes de resolver os problemas da sociedade está sendo questionada, e os partidos nacionalistas e xenófobos estão conseguindo aumentar seu poder,
  • Em outros países, grupos extremistas provocaram divisões nas comunidades e espalharam medo e desconfiança nos corações das pessoas.
  • O Islã é atravessado por correntes contraditórias e, em certos países, o fundamentalismo e o terrorismo crescem. Cristãos e muçulmanos estão sofrendo.
  • Graças às ONGs, existe uma crescente criatividade procurando responder aos grandes desafios da defesa dos direitos humanos, imigração, ecologia, solidariedade com os pobres e convivência na diversidade de culturas.

Na igreja

Em alguns países, o número de cristãos diminui e a indiferença aumenta em relação à religião e à Igreja. A secularização e o escândalo do abuso de menores por padres e bispos degradaram ainda mais essa situação

  • Mas muitos sinais de esperança apareceram com a exortação do Papa Francisco “Evangelii Gaudium”.
  • Esta exortação conduz a Igreja a um novo caminho missionário mais coerente com as esperanças do povo e mais fiel ao Evangelho.
  • Chama-nos a viver na simplicidade e em proximidade com os pobres e a sair para as “periferias”.
  • Constatamos que há um aumento no número de leigos que estão mais comprometidos com a sua fé, e que são eles mesmos os evangelizadores.
  • Estamos mais abertos ao diálogo com os leigos e com os crentes de outras confissões e outras religiões,
  • Percebemos a necessidade de desenvolver iniciativas pastorais para formar pequenas comunidades de base, nas quais a semente do Evangelho possa crescer em meio aos desafios que as pessoas têm que enfrentar.

Nas fraternidades

  • Diminuição do número de membros em algumas fraternidades, devido à idade
  • Em muitas fraternidades, a revisão da vida e o dia de deserto não são praticados. É um desafio que devemos levar a sério!
  • As fraternidades estão crescendo nos países do sul.
  • Existe uma boa comunicação entre as fraternidades do Norte e do Sul.
  • A vida de fraternidade se desenvolve graças aos encontros mensais.
  • As fraternidades vivem parcialmente a adoração eucarística.
  • A vontade de estar perto dos pobres é uma prioridade nos nossos compromissos.

OS CRITÉRIOS DE DISCERNIMENTO

As meditações de cada dia, as palestras e a partilha de experiências nos ajudaram a aprofundar o discernimento de todas as realidades contempladas.

Emmanuel Asi e Honoré Savadogo nos ajudaram, diariamente, a meditar sobre o Evangelho do dia e os pensamentos do irmão Carlos. Emmanuel convidava-nos a acolher o chamado de Cristo, abrindo nossos corações aos nossos irmãos e irmãs marginalizados e Honoré convidava-nos a seguir de perto os passos do irmão Carlos.

As palestras do Maurício da Silva, Jean-François Berjonneau e Manolo Pozo Oller levaram-nos a redescobrir os fundamentos da missão e da espiritualidade missionária do Irmão Carlos e do Papa Francisco. Estas palestras foram um chamado urgente para assumirmos as convicções missionárias de se tornar “Igreja na Saída” que anuncia a Boa Nova àqueles que estão nas periferias geográficas e existenciais da vida. Eles também destacaram alguns desafios atuais da missão: a degradação de nossa “casa comum”, a emigração e o diálogo com os muçulmanos.

No capítulo dos testemunhos sentimo-nos muito motivados pela partilha de Mariano Puga sobre a sua experiência pastoral com os pobres e oprimidos. Fernando Tapia nos apresentou o documento sobre o mês de Nazaré preparado por ele, Jean-Michel Bortheirie e Manolo Pozo Oller. Nos motivamos uns aos outros a encontrarmos tempo necessário para este importante exercício de nossa espiritualidade, tal como nos é orientado neste belo guia.

OS CHAMADOS QUE NÓS PERCEBEMOS

Diante desta situação, e de acordo com os critérios enunciados, aqui estão os apelos para a nossa fraternidade:

No coração das nossas sociedades

  • Queremos pôr em prática em nossos países essa “fraternidade universal” que o irmão Carlos nos convida a viver, colocando-nos do lado dos mais pobres.
  • Para respeitar com eles este planeta que o Criador nos confiou,
  • Para lutar com eles por mais justiça.
  • Para que a dignidade de cada pessoa seja respeitada e todos possam ter a sua quota de pão e trabalho.

Ao serviço das nossas igrejas

Nós ouvimos o chamado para:

  • Participar plenamente desta “transformação missionária” à qual o Papa Francisco nos chama na “Evangelii Gaudium”.
  • Consolidar as comunidades cristãs de base em torno da Palavra de Deus.
  • Desenvolver a colaboração entre sacerdotes e leigos para nos comprometermos juntos na missão e lutar contra o clericalismo.
  • Ajudar nossas comunidades a “estarem em saída para as periferias geográficas e existenciais”.
  • Transformar a pobreza de nossas comunidades num caminho de solidariedade com os pobres.
  • Aprender a dialogar com aqueles que acreditam ou pensam de forma diferente.
  • Contribuir para viver com todos os grupos que compõem a sociedade.
  • Convide nossas igrejas para acolher os imigrantes como irmãos e, neles, o próprio Cristo.

Em nossas fraternidades

Sentimo-nos chamados a uma conversão para praticarmos os meios da fraternidade:

  • praticar uma autêntica “revisão de vida” como um trampolim para a missão,
  • Respeitar o tempo de adoração eucarística e os dias de deserto, indispensáveis ​para seguir a Cristo no caminho para os outros.
  • Fazer do Mês de Nazaré uma etapa importante para reler nosso ministério e ajustá-lo ao caminho do irmão Carlos.
  • Desenvolver o relacionamento entre as fraternidades dos diversos continentes, graças à página “iesuscaritas.org”.
  • Divulgar a espiritualidade do irmão Carlos para as jovens gerações.

A ELEIÇÃO DO NOVO RESPONSÁVEL INTERNACIONAL

Agradecemos ao nosso irmão Aurélio e sua equipe pelo belo trabalho realizado ao longo destes seis anos.

Escolhemos Eric Lozada, das Filipinas, como nosso Responsável internacional. Ele é o primeiro irmão na Ásia a assumir esta responsabilidade. Nós invocamos sobre ele o sopro do Espírito Santo, para que sua missão seja fecunda. Na sequencia, ele montou sua equipe, composta por Fernando Tapia, Honoré Savadogo, Matthias Keil e Tony Llanes.

Contamos com estes irmãos de nossa nova equipe para nos ajudar a “gritar o Evangelho com toda a nossa vida” e dar um novo sopro espiritual e missionário às nossas fraternidades, como o Papa Francisco nos lembra: “O Cristo ressuscitado e glorioso é a fonte profunda de nossa esperança, e não nos faltará sua ajuda para cumprir a missão que nos confia” (Evangelii Gaudium N ° 275).

Nas fotos acima, os irmãos responsáveis e os delegados
na Assembleia internacional de Cebu, Filipinas, em janeiro de 2019.

PDF: Carta de Cebu, janeiro 2019, assembleia internacional, port

O cardeal Philippe OUÉDRAOGO presidente do Symposium de Conferências Episcopais da África e Madagáscar

Burkina Faso.. O cardeal Philippe OUÉDRAOGO, de nossa fraternidade, eleito presidente do Symposium de Conferências Episcopais da África e Madagáscar.

https://translate.google.com/translate?hl=&sl=fr&tl=pt&u=https%3A%2F%2Fafrica.la-croix.com%2Fle-cardinal-burkinabe-philippe-ouedraogo-a-la-tete-de-lepiscopat-dafrique-et-de-madagascar%2F

https://translate.google.com/translate?hl=&sl=es&tl=pt&u=https%3A%2F%2Fwww.religiondigital.org%2Fmundo%2Fcardenal-Ouedraogo-elegido-presidente-SECAM-religion-africa_0_2144785517.html

Silêncio amoroso. José Inácio do VALE

“O falar é de prata, o silêncio é de ouro”.

“Na procura de conhecimentos, o primeiro passo é o silêncio, o segundo ouvir, o terceiro relembrar, o quarto praticar e o quinto ensinar aos outros” – (Textos Judaicos).

Vivemos no mundo dominado pelo barulho, pela falação, pela comunicação ditatorial, pela imagem com o áudio invasor determinante. A poluição sonora é patologizante!

Constantemente estamos sendo bombardeados com a zoada do alto-falante, buzinas, motores dos veículos, das redes sociais, televisores, celulares, tabletes, rádios e vários outros dispositivos que nos mantêm conectados, é imprescindível que se faça uma pausa para desfrutar um pouco do sagrado silêncio. Procure um lugar agradável e silencioso, recarregue-se, redescubra seus pensamentos, encontre-se no silêncio, mergulhe abissalmente no seu interior.

Seja um amante na escuta do silêncio, um praticante da meditação e aberto para potencialidade transcendental. Ao meditar pode evitar tomar decisões com as quais não se sente confortável, resolver dilemas que o incomodam há algum tempo e ainda a conhecer-se melhor. Se está ciente de seus pensamentos e de sua fonte psicológica, é mais provável que resolva seus problemas com mais facilidade e traga grande claridade emocional à sua vida com abundância de paz, serenidade e felicidade.

A meditação e a oração propiciam redefinição de diversas opções, ajuda a pessoa a se tornar mais consciente, sábia do que está fazendo e a melhorar e aprimorar sua experiência profunda de vida. O silêncio é libertador, curativo e de uma terapia imensurável.

Maria de Nazaré

No Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, São Luís de Montfort nos leva a Nazaré a encontrar uma jovenzinha escondida. Não com medo, mas reservada, silenciosa, delicada e simples. Era Maria. O silêncio dela era do agrado de Deus e pela sua humildade foi escolhida para tão perfeita missão: mãe de Jesus Cristo. Pelo sagrado silêncio da Virgem Maria, foi gerado o Verbo encarnado. Aquele que passou maior parte de sua vida em silêncio. Seu pai era o varão justo do silêncio. São José é um exemplo de silenciosa dedicação ao projeto de Deus. É o homem de uma grande nobreza de alma que, no santo silêncio de amor e de fé, recebe o mistério que está além da sua capacidade, no entanto, acolhe na confiança da sua crença silenciosa a vontade de Deus. A Sagrada Família é o maior exemplo da espiritualidade do silêncio.

O encontro com Deus no silêncio, é o encontro do diálogo e da escuta pelo coração. O coração fala e escuta pela dimensão do amor. Essa é a verbalização de Deus. A vivência do silêncio é de uma profundidade espiritual de unificação amorosa.

Santo Inácio de Antioquia afirma que Cristo é “a Palavra que procede do silêncio”. O bom Deus que se revela no silêncio e na palavra, solicita a escuta do homem e para a escuta é essencial o sagrado silêncio.

Conclusão

O silêncio é um espaço sagrado, enriquecedor, poderoso, iluminador, onde permanecemos no relacionamento com Deus, atentos a Ele. É um silêncio contemplativo, em que contemplamos Sua ação amorosa em nossas vidas e permanecemos a escutá-Lo. Nesse silêncio de intimidade, nós nos entretemos com a Sua Palavra. O silêncio é de suma importância para receber sabedoria numa modalidade única, experiência mística e intensa intimidade com Deus e o crescimento na comunhão com Ele.

Frei Inácio José do Vale, FCF
Sociólogo em Ciência da Religião
Professor de Pós-Graduação na Faculdade Norte do Paraná
Fraternidade Sacerdotal JesusCáritas
Do Bem-aventurado Charles de Foucauld

PDF: silencio-amoroso