Anunciar o Evangelho pelo Testemunho. Inácio José do VALE

Somente uma Igreja que renuncia ao mundo anuncia bem o Senhor”. “Somente uma Igreja desvinculada do poder e do dinheiro, livre de triunfalismos e clericalismos testemunha de forma crível que Cristo liberta o ser humano”, disse o Papa Francisco. (05/05/2018, Esplanada de Tor Vergata, em Roma).

O bom testemunho é o perfume de santidade eis aí o comportamento fundamental para anunciar o Santo Evangelho de Jesus Cristo. O exemplo configurado na caridade e na justiça de Deus foi e sempre será a prática colossal de evangelização.

A prática apostólica é o protótipo ínclito de proclamar a Boa Nova do Reino de Deus: “Não temos prata e nem ouro”, (At 3, 6), no entanto: “Eles tinham santidade e ousadia de pregar a palavra do Senhor Deus” (At 4,31). Daí os sinais, prodígios, maravilhas e conversão de almas para glória de Deus e crescimento da Igreja de Cristo (At 2, 41-47; 4, 4).

Aqueles que anunciam verdadeiramente o Evangelho são mais conhecidos pelo exemplo de vida do que pela pregação, escritos, cargos, formação acadêmica, apresentações espetaculares e paramentos caríssimos. O arauto autêntico da Boa Noticia de Cristo é tentado a se corromper, recebe propostas indecentes dos seguimentos sociais, principalmente da mídia, todavia, seguindo o modelo apostólico rejeita e responde: “O dom de Deus não se compra com dinheiro” (At 8,20). Os corruptos e os demônios conhecem os honestos e dignos pregadores da Palavra de Deus (Cf. At 8,18-24; 19, 14-20).

Vivemos a era das espetacularizações: a grandiosidade da corrupção, os megatemplos, shows religiosos, líderes religiosos milionários, culto à personalidade, transformistas venerados, a idolatria personificada nas redes sociais, o modismo rebeldes conectados aos vícios e a profanação do sagrado via a “arte” financiada pelo ídolo do capitalismo.

A sedução mundana é monumental, as propostas são fartas e os desafios são gigantescos. O mundanismo é um convite à arena do prazer. A falta de equilíbrio, maturidade e integridade na personalidade humana podem ser ocupadas pelo hedonismo e narcisismo levando a pessoa a soberba do triunfalismo e no campo religioso o clericalismo arrivista. Em ambos não há espaço para caridade, a paz, amizade, justiça e santidade (Ler 1 Ts 4, 3; Hb 12, 14).

Muitos querem contemplar no evangelizador a imagem de Cristo, se ele anuncia a mensagem do seu Senhor tem que parecer com Ele, tem que ser credível pela a semelhança do seu Divino Mestre! Principalmente os jovens que amam de fato e de verdade o religioso que não apareça e sim faça aparecer Jesus de Nazaré. Os jovens no sentido de espiritualidade não querem ostentação, espetacularização e sim a simplicidade do Evangelho e o testemunho de santidade de quem prega e vive a Boa Nova. Há multidões de jovens com fome e sede de Deus e que estão procurando configurar suas vidas em Cristo via testemunhas que os ajudem centralizar seus ideais no amor acolhedor, na dignidade e na esperança de vida eterna. E é o Espírito Santo que derrama em nossos corações o amor acolhedor de Deus (Cf. Rm 5,5). Daí a busca profunda da Pessoa do Divino Espírito Santo e seus carismas (1Cor 12, 1- 13).

Documento de Aparecida

E a missão é possível quando se é conduzido pelo Espírito Santo como foi conduzido Jesus (149).

A Diocese “é o primeiro espaço da comunhão e da missão”, e o bispo “deve estimular e conduzir uma ação pastoral orgânica renovada e vigorosa, de maneira que a variedade de carismas, ministérios, serviços e organizações se orientem no mesmo projeto missionário para comunicar vida” (169).

O pároco “deve ser ardoroso missionário que vive o constante desejo de buscar os afastados e não se contenta com a simples administração” (201).

Para cumprir sua missão, os leigos necessitam de sólida formação doutrinal, pastoral, espiritual e adequado acompanhamento (212). A Igreja em nosso Continente quer “colocar-se em estado de missão” (213).

Evangelizar para encantar e reencantar cada dia, renovando e reavivando só pelo testemunho fundamentado na entrega total ao Espírito Santo (Ef 5,18). Os não crentes e os afastados poderão crê e retornarão a comunhão da Igreja pelo glorioso testemunho da graça salvadora de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Frei Inácio José do Vale
Professor e Conferencista
Sociólogo em Ciência da Religião
Fraternidade do Bem-aventurado Charles de Foucauld

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