{"id":2196,"date":"2017-01-01T14:40:09","date_gmt":"2017-01-01T13:40:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iesuscaritas.org\/?p=2196"},"modified":"2017-01-01T14:40:09","modified_gmt":"2017-01-01T13:40:09","slug":"portugues-massimo-faggioli-papa-francisco-venceu-o-desafio-da-reforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/documentos\/portugues-massimo-faggioli-papa-francisco-venceu-o-desafio-da-reforma\/","title":{"rendered":"Massimo FAGGIOLI: Papa Francisco Venceu o desafio da reforma"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA popularidade de\u00a0<strong>Francisco\u00a0<\/strong>\u00e9 o fruto da percep\u00e7\u00e3o deste papa como \u00faltimo basti\u00e3o do conhecido contra o avan\u00e7o do desconhecido. A globaliza\u00e7\u00e3o do catolicismo e do papado tamb\u00e9m envolve a globaliza\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o do bispo como\u00a0defensor civitatis. N\u00e3o \u00e9 mais somente a\u00a0civitas\u00a0de\u00a0<strong>Roma<\/strong>, mas a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A opini\u00e3o \u00e9 do historiador italiano\u00a0<strong>Massimo Faggioli<\/strong>, professor da\u00a0<strong>Villanova University<\/strong>, nos\u00a0<strong>EUA<\/strong>, em artigo publicado no jornal\u00a0<strong>Il Mattino<\/strong>, 21-11-2016. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de\u00a0<strong>Mois\u00e9s Sbardelotto<\/strong>.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Eis o texto.<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No domingo, 20 de novembro, concluiu-se em\u00a0<strong>Roma\u00a0<\/strong>o\u00a0<strong>Jubileu\u00a0<\/strong>aberto pelo\u00a0<strong>Papa Francisco<\/strong>\u00a0no dia 29 de novembro do ano passado em\u00a0<strong>Bangui<\/strong>, na\u00a0<strong>Rep\u00fablica Centro-Africana<\/strong>. Foi um ano jubilar que disse muito sobre a Igreja de\u00a0<strong>Francisco<\/strong>, porque viu Francisco agir em diversos n\u00edveis ligados entre si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<strong>primeiro n\u00edvel<\/strong>\u00a0\u00e9 o de um pontificado em que a dimens\u00e3o romana e curial do papa \u00e9 claramente menos distintivo da sua dimens\u00e3o global. O n\u00edvel institucional da a\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Francisco\u00a0<\/strong>parece ser marginal, subordinado na agenda do papa, mas \u00e9 uma marginalidade que \u00e9, em si mesmo, a\u00e7\u00e3o de reforma.\u00a0<strong>Francisco\u00a0<\/strong>instituiu apenas dois novos dicast\u00e9rios (o dicast\u00e9rio para os leigos, a fam\u00edlia e a vida, e o dicast\u00e9rio para o servi\u00e7o do desenvolvimento humano integral), na aus\u00eancia (por enquanto) de uma reforma abrangente do governo da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas seria uma miopia n\u00e3o ver as mudan\u00e7as radicais concretizadas e culminadas durante o ano jubilar: a cont\u00ednua \u00eanfase na necessidade de uma humildade institucional da Igreja; a nomea\u00e7\u00e3o de novos cardeais de todo o mundo em uma redefini\u00e7\u00e3o do papel do cardeal de honorific\u00eancia a servi\u00e7o; um governo da\u00a0<strong>C\u00faria Romana<\/strong>\u00a0que pode ser definido como em um estado de suspens\u00e3o, como um coma farmacol\u00f3gico induzido pelo papa no corpo da burocracia vaticana: um dos usos do rem\u00e9dio da miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<strong>segundo n\u00edvel<\/strong>\u00a0\u00e9 o eclesial.\u00a0<strong>Francisco\u00a0<\/strong>concluiu o\u00a0<strong>S\u00ednodo dos bispos<\/strong>\u00a0de 2014-2015 com a publica\u00e7\u00e3o, em abril passado, da exorta\u00e7\u00e3o\u00a0<em><strong>Amoris Laetitia<\/strong><\/em>\u00a0sobre o amor na fam\u00edlia, que cont\u00e9m importantes novas indica\u00e7\u00f5es sobre a pastoral para as fam\u00edlias e as situa\u00e7\u00f5es at\u00edpicas, isto \u00e9, reais e n\u00e3o abstratas. Trata-se do documento sobre a fam\u00edlia mais importante dos \u00faltimos 40 anos, pelo menos, que renova o modo de interpretar uma tradi\u00e7\u00e3o sobre o amor e a sexualidade, que remonta pelo menos ao\u00a0<strong>Conc\u00edlio de Trento<\/strong>\u00a0(1545-1563).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Francisco\u00a0<\/strong>nomeou uma comiss\u00e3o de estudo sobre o diaconato das mulheres, que declara aberto um debate que muitos pretendiam que estivesse fechado para sempre, e que se insere em recentes desenvolvimentos de outras Igrejas (\u00e9 de poucos dias atr\u00e1s a decis\u00e3o do Patriarcado Ortodoxo de Alexandria de restaurar o diaconato feminino).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Insepar\u00e1vel do n\u00edvel eclesial interno ao catolicismo \u00e9 o\u00a0<strong>terceiro n\u00edvel<\/strong>, o ecum\u00eanico: o terceiro encontro (em tr\u00eas anos) com o\u00a0<strong>Patriarca de Constantinopla<\/strong>, <strong>Bartolomeu<\/strong>, em Lesbos, com os refugiados; com o l\u00edder dos anglicanos\u00a0<strong>Justin Welby<\/strong>\u00a0em\u00a0<strong>Roma<\/strong> (que se deteve de joelhos em ora\u00e7\u00e3o diante do t\u00famulo de\u00a0<strong>S\u00e3o Pedro<\/strong>, em um gesto de reconhecimento espiritual da fun\u00e7\u00e3o petrina do papa); com os luteranos na\u00a0<strong>Su\u00e9cia\u00a0<\/strong>para a comemora\u00e7\u00e3o dos 500 anos do in\u00edcio da\u00a0<strong>Reforma\u00a0<\/strong>protestante. Esses encontros cimentaram n\u00e3o s\u00f3 a fun\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica do papado romano, mas tamb\u00e9m o seu reconhecimento por parte do vasto mundo das Igrejas diferentes das hist\u00f3ricas da Reforma, com muito menos reservas em rela\u00e7\u00e3o a alguns anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<strong>quarto n\u00edvel<\/strong>\u00a0\u00e9 o inter-religioso: o encontro de\u00a0<strong>Assis\u00a0<\/strong>para o\u00a0<strong>Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pela Paz<\/strong>; a publica\u00e7\u00e3o do importante documento da\u00a0<strong>Comiss\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es Religiosas\u00a0com o Juda\u00edsmo<\/strong>, que declara de maneira mais forte do que no passado a irrevogabilidade dos dons de Deus a Israel; a visita \u00e0 sinagoga de\u00a0<strong>Roma<\/strong>; a audi\u00eancia do\u00a0<strong>Papa Francisco<\/strong>\u00a0ao\u00a0<strong>Grande Im\u00e3 de al-Azhar<\/strong>, a escola de teologia mais importante do Isl\u00e3 sunita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<strong>quinto e \u00faltimo n\u00edvel<\/strong>\u00a0\u00e9 o da profecia social no plano mundial e global, que se cruza com os outros n\u00edveis. O encontro com o\u00a0<strong>Patriarca de Moscou<\/strong>, <strong>Kirill<\/strong>, em\u00a0<strong>Cuba<\/strong> confirmou a fun\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Francisco\u00a0<\/strong>de mediador entre \u00e1reas geopol\u00edticas e tradi\u00e7\u00f5es confessionais n\u00e3o s\u00f3 diferentes, mas tamb\u00e9m divididas por uma hist\u00f3ria de conflitos armados e estranhamentos culturais. A viagem ao\u00a0<strong>M\u00e9xico\u00a0<\/strong>representou o necess\u00e1rio ap\u00eandice para compreender a viagem de setembro de 2015 aos\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>, a j\u00e1 ex-pot\u00eancia mundial indiscut\u00edvel, o pa\u00eds-chave para compreender as ambiguidades morais do cristianismo hoje diante das quest\u00f5es da imigra\u00e7\u00e3o, da exclus\u00e3o econ\u00f4mica e social, do nacionalismo e do militarismo em um contexto de crise do ethos democr\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O congresso vaticano sobre n\u00e3o viol\u00eancia e paz, promovido pelo dicast\u00e9rio\u00a0\u201c<strong>Justi\u00e7a e Paz<\/strong>\u201d, junto com o movimento\u00a0<strong>Pax Christi<\/strong>, reabriu o debate sobre paz e guerra justa no magist\u00e9rio da Igreja e papal, em um desafio \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es de fazer do catolicismo a legitima\u00e7\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Ocidente\u00a0<\/strong>contra o terrorismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viagem a\u00a0<strong>Lesbos\u00a0<\/strong>(da qual\u00a0<strong>Francisco\u00a0<\/strong>trouxe para\u00a0<strong>Roma\u00a0<\/strong>12 refugiados, em um Vaticano convertido, de ref\u00fagio do papa depois da perda do poder temporal do papa, em ref\u00fagio para os refugiados) precedeu em apenas algumas semanas o pr\u00eamio\u00a0<strong>Karlspreis<\/strong> conferido ao Papa Francisco, com uma Europa que, na tentativa de se reencontrar, apela a um jesu\u00edta argentino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As viagens \u00e0\u00a0<strong>Arm\u00eania<\/strong>, \u00e0\u00a0<strong>Ge\u00f3rgia\u00a0<\/strong>e ao\u00a0<strong>Azerbaij\u00e3o\u00a0<\/strong>levaram o papa para as periferias da\u00a0<strong>Europa<\/strong>, mas, principalmente, periferias de pot\u00eancias imperiais que usaram e est\u00e3o tentando voltar a usar a religi\u00e3o como\u00a0instrumentum regni.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o seu\u00a0discurso no\u00a0<strong>3\u00ba Encontro Mundial dos Movimentos Populares<\/strong>,\u00a0<strong>Francisco\u00a0<\/strong>apresentou uma alternativa radical ao atual sistema econ\u00f4mico e social que exclui programaticamente crescentes faixas da popula\u00e7\u00e3o, fazendo do papado a voz j\u00e1 dormente de um progressismo pol\u00edtico absorvido pelo liberalismo da\u00a0\u201cidentity politics\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses cinco n\u00edveis, durante o\u00a0<strong>Jubileu Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia<\/strong>, o papado evidenciou de maneira cada vez mais inequ\u00edvoca a linha, \u00e0s vezes subterr\u00e2nea, que conecta\u00a0<strong>Francisco\u00a0<\/strong>a\u00a0<strong>Jo\u00e3o XXIII<\/strong>\u00a0e \u00e0 sua intui\u00e7\u00e3o de convocar o\u00a0<strong>Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pontificado de\u00a0<strong>Francisco\u00a0<\/strong>reprop\u00f5e, sem temores e sem apolog\u00e9ticas, a mensagem do\u00a0<strong>Vaticano II<\/strong>. A mudan\u00e7a de paradigma teol\u00f3gico e eclesial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nostalgias pr\u00e9-conciliares \u00e9 irrevers\u00edvel. O\u00a0<strong>Jubileu Extraordin\u00e1rio<\/strong>\u00a0rec\u00e9m-conclu\u00eddo consolidou o projeto do\u00a0<strong>Papa Francisco<\/strong>, levando a uma radicaliza\u00e7\u00e3o e isolamento da oposi\u00e7\u00e3o interna \u00e0 Igreja: esse \u00e9 um desafio em via de solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na\u00a0<strong>Igreja Cat\u00f3lica<\/strong>\u00a0global, hoje, n\u00e3o h\u00e1 uma alternativa intelectual e espiritualmente capaz de se propor como antagonista cred\u00edvel e n\u00e3o caricatural do catolicismo de\u00a0<strong>Bergoglio<\/strong>. O discurso est\u00e1 se deslocando do plano interno eclesial ao plano social e pol\u00edtico global. A fundamental oposi\u00e7\u00e3o entre o esp\u00edrito do tempo culminado (por enquanto) com a elei\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Donald Trump<\/strong>\u00a0e a mensagem social do\u00a0<strong>Papa Francisco<\/strong>\u00a0\u00e9 um desafio aberto diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras-chave do\u00a0<strong>Jubileu\u00a0<\/strong>e do pontificado de\u00a0<strong>Francisco<\/strong>, miseric\u00f3rdia e pobres, p\u00f5em o catolicismo na margem oposta em rela\u00e7\u00e3o a uma mar\u00e9 crescente: o avan\u00e7o dos populismos, o medo do outro nos refugiados, o colapso da f\u00e9 na democracia como o colapso dos la\u00e7os de solidariedade n\u00e3o imediatos, a popularidade do homem forte como figura salv\u00edfica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A popularidade de\u00a0<strong>Francisco\u00a0<\/strong>tamb\u00e9m \u00e9 o fruto da percep\u00e7\u00e3o deste papa como \u00faltimo basti\u00e3o do conhecido contra o avan\u00e7o do desconhecido. A globaliza\u00e7\u00e3o do catolicismo e do papado tamb\u00e9m envolve a globaliza\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o do bispo como\u00a0defensor civitatis. N\u00e3o \u00e9 mais somente a\u00a0civitas\u00a0de\u00a0<strong>Roma<\/strong>, mas a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PDF: <a href=\"http:\/\/www.iesuscaritas.org\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Massimo-FAGGIOLI.-Papa-Francisco-VENCEU-O-DESAFIO-DA-REFORMA-2016.pdf\">Massimo FAGGIOLI. Papa Francisco, VENCEU O DESAFIO DA REFORMA 2016<\/a><\/p>\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA popularidade de\u00a0Francisco\u00a0\u00e9 o fruto da percep\u00e7\u00e3o deste papa como \u00faltimo basti\u00e3o do conhecido contra o avan\u00e7o do desconhecido. 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