{"id":1763,"date":"2016-06-11T11:13:12","date_gmt":"2016-06-11T09:13:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iesuscaritas.org\/?p=1763"},"modified":"2016-06-11T11:13:12","modified_gmt":"2016-06-11T09:13:12","slug":"portugues-en-busca-do-ultimo-lugar-gunther-lembradl-semana-de-teologia-puc-sao-paulo-junho-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/documentos\/portugues-en-busca-do-ultimo-lugar-gunther-lembradl-semana-de-teologia-puc-sao-paulo-junho-2016\/","title":{"rendered":"En busca do \u00faltimo lugar. G\u00fcnther LEMBRADL, Semana de Teologia, PUC S\u00c2O PAULO, junho 2016"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EM BUSCA DO \u00daLTIMO LUGAR<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">G\u00fcnther LEMBRADL<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Semana de Teologia, PUC S\u00c2O PAULO, junho 2016<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 1 de dezembro de 1916, portanto cem anos atr\u00e1s, em Tamanr\u00e1sset, uma cidade da tribo dos Tuaregues no cora\u00e7\u00e3o do Saara, foi morto o Pe. franc\u00eas, Carlos de Foucauld, que agora em diante vou chamar simplesmente Ir. Carlos. Ele quis ser irm\u00e3o de todos. Durante a sua vida ele quis fundar uma congrega\u00e7\u00e3o, mas morreu sozinho, sem ver o seu projeto realizado. \u201cSe o gr\u00e3o de trigo que cai na terra, n\u00e3o morrer, ficar\u00e1 s\u00f3, mas se morrer produzir\u00e1 muito fruto\u201d. (Jo\u00e3o 12,24). Mais ou menos trinta anos ap\u00f3s sua morte, veio a surgir a primeira congrega\u00e7\u00e3o, os irm\u00e3ozinhos de Jesus. Hoje ao redor do Ir. Carlos existe uma fam\u00edlia espiritual muito numerosa. No dia 13 de novembro de 2005 Ir. Carlos foi declarado beato pelo Papa Bento XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 esta pessoa extraordin\u00e1ria cujo testemunho de vida atraiu tanta gente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carlos de Foucauld nasceu em 1858. Com 6 anos de idade era \u00f3rf\u00e3o de pai e de m\u00e3e. Com 14 anos fez a primeira comunh\u00e3o e logo em seguida perdeu a f\u00e9. Com 28 anos, ele a recuperou. No m\u00eas de outubro ele \u00e9 visto nas Igrejas de Paris rezando. A ora\u00e7\u00e3o que repetia era: \u201c<strong>Meu Deus, se voc\u00ea existir, eu gostaria de conhec\u00ea-lo<\/strong>\u201d. No dia 29 ou 30 de outubro de 1886, ele tinha 28 anos de idade, entrou na Igreja de Santo Agostinho para pedir aulas de religi\u00e3o. O padre \u201cAbb\u00e9 Huvelin\u201d o mandou ajoelhar e confessar. Logo depois lhe deu a santa comunh\u00e3o. Carlos sai da Igreja tendo reencontrado a f\u00e9. Ele escreveu: \u201c<strong>Logo que tinha a certeza de que Deus existe, s\u00f3 pude viver para ele<\/strong>\u201d. Come\u00e7a uma vida nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa homilia do Pe. Huvelin, ele escuta uma frase que iria \u201cgravar-se indelevelmente em minha alma\u201d, como afirmou. \u201c<strong>Jesus tomou de tal maneira o \u00faltimo lugar que ningu\u00e9m jamais p\u00f4de tir\u00e1-lo daqui<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de ent\u00e3o Ir. Carlos inicia a aventura do seguimento de Jesus Cristo, a descida para o \u00faltimo lugar. Tema da minha coloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pedido do Pe. Huvelin, que se tornou o seu guia espiritual, Ir. Carlos faz uma peregrina\u00e7\u00e3o para a Terra Santa. Ele chegou a Nazar\u00e9. L\u00e1 ele se defrontou com \u201c<strong>a exist\u00eancia humilde e obscura do divino carpinteiro da Nazar\u00e9<\/strong>\u201d. Ele descobriu o seu chamado: Viver a vida de Jesus de Nazar\u00e9. Mais tarde ele medita longamente sobre as palavras do Evangelho de Lucas. \u201cEle desceu com eles para Nazar\u00e9 e lhes era submisso\u201d. (Lc.2,51). \u201c<strong>V\u00f3s descestes com eles (os pais) para viver, como eles viviam, a vida dos pobres artes\u00e3os, que vivem do pr\u00f3prio trabalho em Nazar\u00e9<\/strong>\u201d. Ainda trinta anos ap\u00f3s a sua convers\u00e3o em 1916, ano de sua morte, Ir. Carlos medita em Tamanrasset: \u201c<strong>Ele desceu com eles e foi para Nazar\u00e9: por toda a sua vida. Ele s\u00f3 desceu, desceu ao encarnar-se, desceu ao fazer-se filho, desceu ao obedecer, desceu ao fazer-se pobre, abandonado, exilado, perseguido, supliciado, ao colocar-se sempre no \u00faltimo lugar<\/strong>\u201d. Buscar o \u00faltimo lugar para Ir. Carlos \u00e9 o resumo de sua vontade em seguir Jesus Cristo. Aqui h\u00e1 uma intui\u00e7\u00e3o central da f\u00e9 do Ir. Carlos, profundamente de acordo com o cora\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ir. Carlos tem a intui\u00e7\u00e3o de que ele encontra o \u00faltimo lugar no seguimento da vida de Jesus em Nazar\u00e9. Trinta anos de vida escondida, de trabalhador, desprezada. Natanael ao saber que Jesus \u00e9 de Nazar\u00e9 s\u00f3 sabe exclamar: \u201cDe Nazar\u00e9 pode sair alguma coisa que presta\u201d? (Jo\u00e3o 1,46)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nazar\u00e9 era uma cidade rejeitada, impura, pag\u00e3, sem import\u00e2ncia, obscura e desconhecida. N\u00e3o tinha hist\u00f3ria, refer\u00eancias, import\u00e2ncia; n\u00e3o tinha voz. Foi em Nazar\u00e9 que Jesus viveu trinta longos anos de vida escondida, sua inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia, sua juventude. Aqui ele entendeu o seu chamado, aqui encontrou a sua voca\u00e7\u00e3o, aqui amadureceu o projeto de sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta que Ir. Carlos se fez: como encontrar este \u00faltimo lugar? A busca deste \u00faltimo lugar leva Ir. Carlos primeiro para o Mosteiro da trapa. \u201c<strong>Restava-me entrar na Ordem onde eu encontrasse a imita\u00e7\u00e3o mais exata de Jesus&#8230;sua vida privada de humildade e pobre artes\u00e3o de Nazar\u00e9<\/strong>\u201d. Em 1890, com 32 anos de idade ele entra no Mosteiro \u201cNotre-Dame des Neiges\u201d, com a previs\u00e3o de ser enviado para uma nova funda\u00e7\u00e3o em Akb\u00e9s na S\u00edria. Ele escreve: \u201c<strong>Por que entrei na trapa? Por amor, por puro amor&#8230;amo Nosso Senhor Jesus Cristo, embora com um cora\u00e7\u00e3o que gostaria amar mais e melhor, mas, enfim, eu o amo e n\u00e3o posso suportar viver uma vida diferente da sua, uma vida doce e honrada quando a Dele foi a mais dura e desdenhada que jamais houve<\/strong>\u201d. Mas a saudade de Nazar\u00e9 n\u00e3o tardou. Na trapa n\u00e3o encontrou o que estava buscando, a sua inspira\u00e7\u00e3o profunda. \u201c<strong>Aqui somos pobres na opini\u00e3o dos ricos; n\u00e3o somos pobres como Nosso Senhor era&#8230;quanta diferen\u00e7a entre essa casa (de um morador do lugar) e as nossas moradas! Suspiro por Nazar\u00e9<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s sete anos de monge trapista e antes de fazer os votos perp\u00e9tuos Ir. Carlos recebe a permiss\u00e3o de deixar a trapa, para viver a vida de Jesus em Nazar\u00e9. Ir. Carlos deixa a Trapa e vai para Nazar\u00e9. L\u00e1 ele fica num convento de Irm\u00e3s Clarissas. Durante tr\u00eas anos mora numa casinha dois por dois metros, para ler, rezar, meditar no sil\u00eancio e ao abrigo da clausura. Durante este tempo de deserto amadurece em Ir. Carlos uma nova convic\u00e7\u00e3o. Viver \u201c<strong>a vida de Nazar\u00e9, minha voca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o na Terra Santa t\u00e3o amada, mas entre as almas mais doentes, as ovelhas mais desamparadas<\/strong>\u201d. Seu pensamento volta \u00e1 sua juventude quando percorreu Arg\u00e9lia como soldado e Marrocos como explorador, os dois pa\u00edses que somam dez milh\u00f5es de habitantes, n\u00e3o havia nenhum padre no interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1900 ele deixa Nazar\u00e9 volta para Fran\u00e7a, se prepara para a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal. Em 09\/06\/1901 com 43 anos de idade, ele \u00e9 ordenado padre pelo bispo da diocese de Viviers na Fran\u00e7a. A pergunta que Ir. Carlos se faz agora: Mas ir para onde? \u201c<strong>\u00c9 preciso ir n\u00e3o onde a terra \u00e9 mais santa, mas onde as almas t\u00eam maior necessidade<\/strong>\u201d. \u201c<strong>Como nenhum povo me parecia mais abandonado do que esse, solicitei e obtive a permiss\u00e3o do prefeito apost\u00f3lico do Saara de instalar-me no Saara argelino<\/strong>\u201d. Foi em Beni Abb\u00e9s,(1901) o\u00e1sis mais pr\u00f3ximo da fronteira marroquina, que Ir. Carlos foi construir seu eremit\u00e9rio. Em Beni Abb\u00e9s Ir. Carlos \u00e9 confrontado de transformar a sua vida monacal em vida de mission\u00e1rio. \u201d<strong>N\u00e3o seguirei essa tend\u00eancia, pois acredito que estaria sendo muito infiel a Deus, que me deu a voca\u00e7\u00e3o de vida reservada e silenciosa e n\u00e3o a do homem de palavras<\/strong>\u201d. Fiel \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o queria viver outra vida sen\u00e3o essa imita\u00e7\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9, que era a sua voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ir. Carlos escolheu Beni Abb\u00e9s pensando de ter encontrado o \u00faltimo lugar poss\u00edvel, mas esse \u00faltimo lugar o esperava ainda dois mil quil\u00f4metros no sul, no Hoggar, no cora\u00e7\u00e3o do deserto do Saara. Numa carta seu amigo general Laperrine contou-lhe de uma mulher tuaregue que recolheu na sua casa e cuidou dos soldados franceses feridos numa batalha e n\u00e3o permitiu o seu exterm\u00ednio. Desde ent\u00e3o Ir. Carlos sentiu-se ser chamado para conhecer esta senhora no Hoggar. \u201c<strong>Sinto calafrios, tenho vergonha em deixar Beni Abb\u00e9s, de deixar a calma ao p\u00e9 do altar para me lan\u00e7ar em viagens pelas quais tenho agora um horror tremendo&#8230; Apesar do que a raz\u00e3o op\u00f5e&#8230; sinto-me extremamente e cada vez mais impelido interiormente a viajar<\/strong>\u201d. A raz\u00e3o porque Ir. Carlos quer ir para o Hoggar: \u201c<strong>Vejo essas vastas regi\u00f5es sem um padre, vejo-me o \u00fanico padre que pode ir at\u00e9 l\u00e1<\/strong>\u201d. Seu bispo, de in\u00edcio reticente, permitiu finalmente que Ir. Carlos partisse. Ao cabo de quatro meses de extenuantes caminhadas pelo deserto, ele chegou ao Hoggar em maio de 1904. Ir. Carlos agora tem 46 anos de idade. Foi uma nova etapa que ele encarou mais do que nunca, \u00e0 luz de Jesus de Nazar\u00e9. \u201c<strong>Escolhi Tamanrasset, povoado de vinte lares, em plena montanha no cora\u00e7\u00e3o do Hoggar e dos Dag Rali, sua principal tribo. Escolhi esse lugar abandonado e nele me fixei e onde quero durante a minha vida, tomar por \u00fanico exemplo a vida de Jesus em Nazar\u00e9<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Beni Abb\u00e9s Ir. Carlos ainda quis viver a vida mon\u00e1stica \u201c<strong>um tipo de eremit\u00e9rio, humilde e pequeno&#8230;numa estreita clausura, na penit\u00eancia e na adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento, n\u00e3o saindo do claustro<\/strong>\u201d agora chegado em Tamanrasset (1905 com 47 anos de idade)ele mudou de ideia e se d\u00e1 uma nova regra. \u201c<strong>Tome como objetivo&#8230;levar a vida de Nazar\u00e9, em tudo e por tudo&#8230;nada de h\u00e1bito como Jesus em Nazar\u00e9, nada de clausura como Jesus em Nazar\u00e9, nada de casas longe de lugares habitados, mas perto de um povoado como Jesus de Nazar\u00e9<\/strong>\u201d. Para construir o seu eremit\u00e9rio n\u00e3o procurou um lugar solit\u00e1rio, como em Beni Abb\u00e9s, mas, ao contr\u00e1rio um lugar acess\u00edvel a todos. Ir. Carlos agora quer viver um apostolado de amizade. \u201c<strong>Ao me verem, as pessoas devem dizer: Sendo esse homem t\u00e3o bom, sua religi\u00e3o deve ser boa<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os anos passavam Ir. Carlos continuou seu caminho de descer para o \u00faltimo lugar, \u201c<strong>sinto-me cada vez mais escondido e perdido como Jesus em Nazar\u00e9<\/strong>\u201d. E como Jesus e com Jesus ele quer ser salvador. Para ser salvador \u201c<strong>\u00e9 preciso passar pelo sofrimento, pelo fracasso aparente, pela morte<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim de sua vida Ir. Carlos se identifica com Jesus \u201c<strong>N\u00e3o somos mais n\u00f3s que vivemos, mas Ele que vive em n\u00f3s. Nossos atos n\u00e3o s\u00e3o mais atos nossos, atos humanos e deplor\u00e1veis, mas s\u00e3o Dele, divinamente eficientes<\/strong>\u201d. Como Jesus ele quer entregar a sua vida por amor. \u201c<strong>Ningu\u00e9m tem maior amor, do que aquele que d\u00e1 a sua vida por seus amigos<\/strong> (Jo\u00e3o 15, 13)&#8230;<strong>desejo de todo o meu cora\u00e7\u00e3o dar a minha vida por V\u00f3s<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este desejo se realiza. No dia 1 de dezembro de 1916 um grupo de Tuaregues rebeldes saqueou o eremit\u00e9rio, aonde Ir. Carlos se tinha retirado. Ele ficou sendo amarrado e vigiado por um rapaz de quinze anos. Num momento de p\u00e2nico este rapaz ficou nervoso e atirou a queima-roupa em seu prisioneiro, que morreu na hora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJesus tomou de tal maneira o \u00faltimo lugar que ningu\u00e9m jamais p\u00f4de tir\u00e1-lo daqui.\u201d Esta palavra marcou toda a vida de Ir. Carlos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O \u00faltimo lugar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00f3s? Aspirar ao \u00faltimo lugar para n\u00f3s \u00e9 um valor? Na nossa sociedade se presencia o contr\u00e1rio. A lei hoje \u00e9 \u201cSubir na vida a todo custo, conquistar um lugar ao sol, ser importante, sair da mis\u00e9ria\u201d. Subir s\u00f3 pode quem est\u00e1 no ch\u00e3o, quem experimentou a dureza da mis\u00e9ria, quem tem fome de alguma coisa, quem ainda n\u00e3o encontrou a vida. Descer s\u00f3 pode quem j\u00e1 tem uma vida cheia; cheia de amor e de miseric\u00f3rdia, como Jesus Cristo que \u201cestando na forma de Deus, mas renunciou ao direito de ser tratado como Deus. Pelo contr\u00e1rio, esvaziou-se a si mesmo e tomou a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens. E sendo encontrado na figura de homem, rebaixou-se ainda mais, fazendo-se obediente at\u00e9 a morte, \u00e0 morte de cruz\u201d. (Fil.2,5ss). O \u00faltimo lugar n\u00e3o \u00e9 um lugar j\u00e1 definido e pronto, que algu\u00e9m pode escolher, mas \u00e9 a op\u00e7\u00e3o de vida de algu\u00e9m de abandonar-se nas m\u00e3os de Deus, deixar guiar-se por ele. Ao \u00faltimo lugar se chega ap\u00f3s uma longa caminhada de descer. Buscar o \u00faltimo lugar \u00e9 para gente corajosa que n\u00e3o tem medo de enfrentar aventuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falei que a lei de nossa sociedade \u00e9 subir na vida. Esta luta acontece n\u00e3o apenas na sociedade c\u00edvica, mas tamb\u00e9m na nossa Igreja. O Papa Francisco o denunciou na carta Evangelii Gaudium (A alegria do Evangelho) o mundanismo religioso que \u201cbusca em vez da gl\u00f3ria do Senhor, a gl\u00f3ria humana e o bem-estar pessoal\u201d. Este obscuro mundanismo manifesta-se em muitas atitudes. \u201cH\u00e1 um cuidado exibicionista da liturgia, da doutrina, e do prest\u00edgio da Igreja\u201d \u201cencerra-se em grupos de elite\u201d Dentro do povo de Deus, quantas \u201dguerras por inveja e ci\u00fames\u201d, \u201cbusca pelo poder, prest\u00edgio, prazer ou seguran\u00e7a econ\u00f4mica e carreirismo\u201d (EA 93-101).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro-me, quando cursava o quarto ano de prim\u00e1rio a nossa professora fez a cada um de n\u00f3s a pergunta: \u201cO que voc\u00ea quer ser na vida?\u201d Um quis ser m\u00e9dico, outro quis ser motorista de caminh\u00e3o, outro quis ser professor, outro quis ser advogado. Eu n\u00e3o me lembro de o que eu quis ser, mas nunca mais esqueci a resposta de um menino: \u201ceu quero ser gari, varredor de rua\u201d. Foi uma gargalhada s\u00f3. Quando cheguei ao Brasil em 1967, conheci os irm\u00e3ozinhos de Jesus, congrega\u00e7\u00e3o que segue a espiritualidade de Ir. Carlos, que moravam numa periferia de Santo Andr\u00e9. Guido, era padre, trabalhava como metal\u00fargico. Serafim tinha absolvido o estudo de m\u00fasica e era pianista, trabalhava como metal\u00fargico, Chico que era m\u00e9dico trabalhava como servente de pedreiro. Mais tarde encontrei em Manila nas Filipinas outro irm\u00e3ozinho de Jesus, era professor da Universidade, depois que ingressou na Congrega\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3ozinhos, virou vendedor de picol\u00e9. Os estudantes que o conheciam como professor vendo-o agora com seu carrinho de picol\u00e9, achavam que enlouqueceu. Como um m\u00e9dico, um professor universit\u00e1rio pode fazer isto? A resposta \u00e9: eles n\u00e3o se tornaram servente e vendedor de picol\u00e9 porque s\u00e3o profiss\u00f5es t\u00e3o atraentes, mas \u201cpor causa de Jesus e do seu evangelho\u201d levaram a s\u00e9rio a palavra de Jesus: \u201cSe algu\u00e9m quer servir a mim, que me siga. E onde eu estiver, a\u00ed tamb\u00e9m estar\u00e1 o meu servo\u201d. (Jo\u00e3o 12,26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.iesuscaritas.org\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/gunter-lembradl.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-1765\" src=\"http:\/\/www.iesuscaritas.org\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/gunter-lembradl-171x300.jpg\" alt=\"gunter-lembradl\" width=\"95\" height=\"162\" \/><\/a>G\u00fcnther LEMBRADL,<br \/>\nfraternidade do Brasil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para preparar esta coloca\u00e7\u00e3o utilizei o livro:<br \/>\nCharles de Foucauld, Nos passos de Jesus de Nazar\u00e9<br \/>\nEditora Cidade Nova 2004<br \/>\nEscrito por<br \/>\nIrm\u00e3zinha Annie de Jesus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PDF: <a href=\"http:\/\/www.iesuscaritas.org\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/EM-BUSCA-DO-\u00daLTIMO-LUGAR-G\u00fcnther-LEMBRADL-Semana-de-Teologia-PUC-S\u00c2O-PAULO-junho-2016.pdf\">EM BUSCA DO \u00daLTIMO LUGAR, G\u00fcnther LEMBRADL, Semana de Teologia, PUC S\u00c2O PAULO, junho 2016<\/a><\/p>\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EM BUSCA DO \u00daLTIMO LUGAR G\u00fcnther LEMBRADL Semana de Teologia, PUC S\u00c2O PAULO, junho 2016 No dia 1 de dezembro de 1916, portanto cem anos atr\u00e1s, em Tamanr\u00e1sset, uma cidade <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/documentos\/portugues-en-busca-do-ultimo-lugar-gunther-lembradl-semana-de-teologia-puc-sao-paulo-junho-2016\/\">Continue Reading &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-1763","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1763"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1763\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1767,"href":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1763\/revisions\/1767"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iesuscaritas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}